terça-feira, 27 de julho de 2010

31 Semanas

31 semanas, minha gente. Nine to go.

Basciamente a bebéia está toda formadinha. Até o nascimento, ela só vai maturar o que já tem: mais redes neurais, melhor sistema imunológico, pulmões mais potentes. Ah! E mais gordura sob a pele - porque bebê rechonchudo é bom e a mamãe gosta muito de apertar criança!

Se ela nascer na data técnica - 27 de setembro, quando completa 40 semanas - vai ser daqui a exatos dois meses. Mas eu acho que ela chega antes disso. Sei lá. Palpite.

Agora que o casamento passou, as atenções se concentram na sua chegada. É hora de finalizar o quartinho e de treinar para um possível parto normal (tomara).

A bebéia continua se mexendo muito e as contrações de Braxton-Higgs (ou de "treinamento", em pequenas áreas da barriga) começam a se tornar freqüentes. Às vezes confundo uma coisa com a outra, movimentos fetais com contrações - porque o útero está mais esticado e mais sensível aos trancos da filhota, e às vezes é desconfortável como uma contração. Mas estou aprendendo a diferenciar.

Ela reage cada vez mais regularmente à voz do pai, que conversa toda noite com a barriga. Parece coisa de filme!

Lutando bravamente para não engordar muito. Me saí bem até agora, com nove quilos ganhos. Lutando bravamente também para não me deixar inchar muito também. Muito líquido, fibras, frutas. E leite, e carne moída, porque mais do que nunca a bebéia precisa de cálcio e ferro.

Cada vez mais curiosa sobre seu rostinho. Sobre se terá cabelo ou se será carequinha.

Constantemente imagino-a dentro da barriga - apertada, encaixada, posicionada. No último ultrassom, há duas semanas, ela continuava de cabeça pra baixo, na posição ideal para nascer. A essa altura, muito provavelmente continuará assim.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Casar Grávida é para Heroínas

Não, a bebéia não nasceu antes da hora! Meu sumiço ficou por conta do pocket-casamento e dos três dias de míni lua-de-mel que o precederam. Quem diria...

Quando eu e o marido resolvemos engravidar, ficar com ele pro resto da vida estava nos meus planos, mas casamento não. Simplesmente não pensava a respeito. Achava que a vida poderia seguir o mais naturalmente possível: amor, nascimento e alegrias sem maiores rituais. E ela pode! Mas o marido tinha planos um pouco diferentes para nós. Estava no segundo mês de gravidez quando ele armou uma serenata embaixo da janela de casa e fez o pedido.

Até sábado passado, dia do "Sim!", pensava que morar junto era igualzinho a estar casado. Descobri que não é. A prática de dividir o mesmo teto, estar junto todo dia, pode até ser; mas emocionalmente um pedaço de papel faz, sim, a maior diferença - pelo menos para mim. O nível de entrega, a profundidade do amor, aumentaram muito. A ficha de que o marido agora é o meu marido ainda está caindo, mas desde os primeiros momentos não tive dúvida de que foi uma das melhores coisas que já fiz na vida! Com qualquer outro homem teria sido um ledo engano. Acho que casamento é isso: ou você acerta em cheio ou erra feio.

Pro papel de noiva, no entanto, eu não levei muito jeito. Na real me senti um alien! Precisei que me caçassem para jogar o buquê (que por sinal eu não sabia onde estava) e clamei pela ajuda dos universitários na hora de cortar o bolo (cortei meio estranho).

Acho digníssimo essas mulheres que atravessam a noite impecáveis dentro de seus vestidos brancos, sem um fio de cabelo fora do lugar, cumprindo sucessivas tradições como se estivessem dançando balé - mas são elas que espalham a idéia de que ser noiva é fichinha. Por mais reduzida que seja a festa, ser noiva é exaustivo! E grávida é pior ainda!!! Devia existir uma lei que impedisse que gestantes se casassem em ocasiões com mais de dez pessoas! Se uma noiva regular já é naturalmente o centro das atenções, e isso cansa horrores, uma noiva grávida é assediada com ainda mais vigor por todo mundo, principalmente pelos idosos! Porque você não só está de branco como também tem uma barrigona com um bebê superquerido lá dentro, e tem que estar disponível para todo mundo que quer saber dele - afinal, você é a porta-voz da criança. Então muito rapidamente minhas costas doíam, minha barriga pesava demais, e por muito tempo não deu nem pra sentar e beber um copo d´água.

Desconfio que aquele copinho de champagne que não sai das mãos das noivas as ajudam muito na missão! Mas e nós, gestantes, que não podemos chegar perto de álcool?

Portanto: no próximo casamento grávido que vocês comparecerem, capturem a noiva, coloquem-na sentada numa cadeira überconfortável, providenciem vários copos de sucos e comidinhas para ela e finjam que são um grupo super mal-educado de convidados que não a deixam em paz! Na verdade vocês estarão proporcionando descanço, alimento e sais minerais à pobre coitada. Não, não pergunte a ela se ela quer descançar - não vai adiantar. Ela (e muita gente!) acha que noivas precisam obedecer a um protocolo digno de mulher-maravilha. Simplesmente obriguem-na a parar ali por pelo menos dez minutos e respirar um pouco!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Verdade É Que

Eu me casei com o seu pai no dia em que concebi você.

terça-feira, 13 de julho de 2010

I Just Had to Let It Go

Muito se ouve falar sobre mulheres agradáveis que se tornaram desinteressantes depois de terem filhos.

No começo da gravidez eu temia ser uma delas.

Hoje em dia eu pouco ligo se assim me considerarem.

Aparentemente, o caminho está sendo feito: das centenas de sites sobre pautas diversas que eu visitava por dia, sobraram apenas seis nos meus Favoritos - o resto é todo relacionado a gravidez, bebês e assuntos afins. Encerrei indefinidamente as atividades de meu amado blog de variedades por simples falta de assunto outro que não gestação e filhos.

Na minha mesa de cabeceira, antes repleto de títulos desafiadores, agora jazem "O que esperar quando você está esperando", "Filhos sem Deus", "Criando meninas" e "O segredo de uma encantadora de bebês". Eu já não acompanho os últimos feitos do Large Hadron Collider, mas estou por dentríssimo das marcas de chupeta BPA free.

Se me julgarem por esses termos apenas, sim, me tornei uma mulher monótona que só pensa em criança. Mas eu acho que só as pessoas muito estreitas me vêem assim. Não é por causa de bordões bobos como "ser mãe é a missão mais maravilhosa do mundo" que eu acho que eu continuo sendo um ser humano legal, mas simplesmente porque, por mais energia que eu esteja colocando nessa área da minha vida - que, por sinal, com quase sete meses de gravidez, é o mínimo que eu faço - isto não me define como mulher. E não define muitas outras mulheres incríveis que contam semanas de gestação e trocam fraldas por aí.

Mulheres que sempre tiveram múltiplos interesses sempre serão multi-interessadas no mundo. Nós só queremos que respeitem o tempo que precisamos para nos aprofundarmos no assunto que mais exigirá nossa atenção e seriedade, que é ser mães. Vale a pena nos dar esse crédito! Nossos filhos serão crianças adoráveis que serão capazes de entender a saga do bóson de Higgs tão logo larguem a chupeta BPA free!

John Lennon era homem mas cabe lindamente como exemplo. Quando Sean, seu filho com Yoko Ono, nasceu, ele tomou à frente a criação do moleque e foi muito criticado pela inteligentzia da época por não mais priorizar o mundo das idéias e das artes. Bem, em primeiro lugar,eu fico feliz por ele: gênios também desejam a quietude de uma mulher e um filho! Que saco isso de ter que servir a humanidade em detrimento das próprias necessidades pessoais! Em segundo, só as tais pessoas estreitas não conseguem enxergar a genialidade dos últimos álbuns solo de Lennon. Um exemplo é a música "Watching the Wheels", de pegada maravilhosa, que explica direitinho essa questão toda.


sexta-feira, 9 de julho de 2010

Momentinho Bitchy

A diva pop Lady Gaga revela coxas casca-de-laranja ao usar cinta-liga e meia sete-oitavos.

É um pedacinho de céu para nós, grávidas com membros inferiores cobertos de celulite! Me sinto um pouco melhor agora!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

É Que o Coração Amolece

Uma das primeiras coisas que a gente aprende quando engravida é que a placenta começa a produzir altas doses de relaxina, um hormônio que ajuda no relaxamento dos músculos e da união dos ossos. Afinal, existe um bebê crescendo lá dentro e o corpo todo estica! Sem falar na temida hora do parto, quando precisamos ficar elásticas.

Mas eu tenho pra mim que a relaxina também atua sobre a musculatura cardíaca. Isso explica porquê a gente fica tão coração mole na gravidez! Faz parte do processo do amor crescendo que eu comentei no post anterior. A gente entende coisas que jamais entendeu antes - principalmente as mães e suas maluquices. E fica com os olhos muito marejados quando passa o comercial do Pedigree com todos aqueles vira-latinhas abandonados. Ai, que tadinhos!

Passamos a ser mais condescendentes com coisas que antes criticávamos, tipo o solo lunar que nossas coxas se transformaram de tanta celulite, ou que tinha horror, tipo fralda suja de bebê - aumenta a capacidade de rir das pequenas tragédias. Das grandes, no entanto, somos as primeiras a chamar a polícia.

Sempre me lembro das palavras de um amigo, pai de três meninos, em resposta à minha dúvida sobre se conseguiria estar espiritualmente pronta para receber o bebê quando ele nascesse: "Calma que dá tempo. Até lá são muitas mudanças!"

Eu mal imaginava...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Gente Sente o Amor Crescendo

O amor pela bebéia cresce junto com a barriga. Acho que eu já disse isso antes por aqui, mas vale a pena frisar. É incrível como a gestação te prepara por inteiro para a chegada do filho - não só física mas também emocionalmente.

A gente vai ficando íntima da barriga. Começa a conhecer os ciclos de sono e vigília do feto. Quanto mais ele cresce, mais real se torna na nossa cabeça, mais presente na nossa vida.

Antes eu achava esquisito falar com a bebéia. De repente, começou a ficar normal.

E o amor? É diferente que qualquer amor que já se sentiu na vida, e só aumenta, e aumenta...

Meu maior terror na vida é que minha bebéia nasça e demore muito pra vir ficar no meu colo. Eu chegar no quarto, depois de parir, e esperar muito até que ela esteja pronta para ficar comigo.

Então sempre digo pra ela ficar bastante tempo dentro da barriga até a hora certinha de sair, pra quando ela chegar, não precisar fazer nenhum pit-stop em incubadora alguma, e sim nos meus braços.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Centésima Postagem

Esta é a centésima postagem do Matryoshka Humana! Não achei que ia render tanto. Estou pensando em algum dia passar todas as postagens para Word, imprimir, criar uma capa bonita, guardar e dar de presente pra minha bebéia quando ela já for adolescente. Quem sabe quando ela fizer 15 anos.

Será que ela vai ser o tipo de garota que liga pra essa história de debutante? Será que em 2025 alguém vai ligar? Aliás, as meninas de 15 anos de hoje em dia ligam pra isso? Há muito tempo não conheço ninguém de 15 anos.

Logo no começo da gravidez eu comprei um álbum lindo para montar um "álbum do bebê" com fotos do ultrassom e da minha barriga, e com os e-mails incríveis que recebi (recebo até hoje) sobre a gravidez, mas acho que o grande álbum é o Matryoshka. Não desisti do outro, até porque, por conta da privacidade, tem muita coisa que não publiquei aqui, mas o Matryoshka é de alguma forma mais completo.

Até quando vai durar? Até quando vou conseguir postar? Alguns setores da minha vida, como minha produção de textos para outros blogs e sites, já estão de licensa-maternidade! O nascimento da bebéia vai significar um renascimento pra mim, em outra vida que eu desconheço. Então não sei ao certo. Mas acho que vai haver um enorme hiato e depois uma retomada com posts curtos. Ou quem sabe um pequeno hiato com muitos posts, já que o exercício da escrita até hoje foi indissociável das minhas maiores alegrias?

Eis mais uma das delícias de engravidar: a gente nunca mais sabe como a vida da gente será. Surprise, surprise!