terça-feira, 13 de julho de 2010

I Just Had to Let It Go

Muito se ouve falar sobre mulheres agradáveis que se tornaram desinteressantes depois de terem filhos.

No começo da gravidez eu temia ser uma delas.

Hoje em dia eu pouco ligo se assim me considerarem.

Aparentemente, o caminho está sendo feito: das centenas de sites sobre pautas diversas que eu visitava por dia, sobraram apenas seis nos meus Favoritos - o resto é todo relacionado a gravidez, bebês e assuntos afins. Encerrei indefinidamente as atividades de meu amado blog de variedades por simples falta de assunto outro que não gestação e filhos.

Na minha mesa de cabeceira, antes repleto de títulos desafiadores, agora jazem "O que esperar quando você está esperando", "Filhos sem Deus", "Criando meninas" e "O segredo de uma encantadora de bebês". Eu já não acompanho os últimos feitos do Large Hadron Collider, mas estou por dentríssimo das marcas de chupeta BPA free.

Se me julgarem por esses termos apenas, sim, me tornei uma mulher monótona que só pensa em criança. Mas eu acho que só as pessoas muito estreitas me vêem assim. Não é por causa de bordões bobos como "ser mãe é a missão mais maravilhosa do mundo" que eu acho que eu continuo sendo um ser humano legal, mas simplesmente porque, por mais energia que eu esteja colocando nessa área da minha vida - que, por sinal, com quase sete meses de gravidez, é o mínimo que eu faço - isto não me define como mulher. E não define muitas outras mulheres incríveis que contam semanas de gestação e trocam fraldas por aí.

Mulheres que sempre tiveram múltiplos interesses sempre serão multi-interessadas no mundo. Nós só queremos que respeitem o tempo que precisamos para nos aprofundarmos no assunto que mais exigirá nossa atenção e seriedade, que é ser mães. Vale a pena nos dar esse crédito! Nossos filhos serão crianças adoráveis que serão capazes de entender a saga do bóson de Higgs tão logo larguem a chupeta BPA free!

John Lennon era homem mas cabe lindamente como exemplo. Quando Sean, seu filho com Yoko Ono, nasceu, ele tomou à frente a criação do moleque e foi muito criticado pela inteligentzia da época por não mais priorizar o mundo das idéias e das artes. Bem, em primeiro lugar,eu fico feliz por ele: gênios também desejam a quietude de uma mulher e um filho! Que saco isso de ter que servir a humanidade em detrimento das próprias necessidades pessoais! Em segundo, só as tais pessoas estreitas não conseguem enxergar a genialidade dos últimos álbuns solo de Lennon. Um exemplo é a música "Watching the Wheels", de pegada maravilhosa, que explica direitinho essa questão toda.