quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Um Parto

As pessoas não têm muita vergonha de perguntar se eu vou parir normal ou fazer cesária - mas muitas arregalam os olhos quando digo que sim, vou tentar normal. Mulheres que já tiveram filhos exclamam "Ai, não tive coragem!", e explicam que preferiram marcar logo uma cirurgia a enfrentar a dor. De forma nenhuma as condeno: eu mesma estava inclinada a abrir a barriga no início da gravidez, mas fui dissuadida pela minha obstetra. É uma ingenuidade romantizar um trabalho de parto e achar que a dor é suportável, só porque é uma "dor boa", que está ajudando a trazer o bebê ao mundo. Dor é dor, e a do parto está entre uma das mais lancinantes da história da medicina.

Só que estamos no século XXI, e parto normal se faz com anestesia. Pelo menos aqui no Brasil, parturientes da rede particular de hospitais são tratadas com piedade e ganham aquela dose amiga de epidural lá pelo quinto centímetro de dilatação. Fora daqui, nos Estados Unidos e Europa, a maioria esmagadora dos partos é à sangue frio - quando não são as prórpias futuras mamães que aderem à moda do parto em casa. Uma amiga que morou em Amsterdam e hoje vive em Londres disse que todas suas conhecidas se arrependeram amargamente da idéia: "Em casa, nunca mais!", dizem elas, traumatizadas.

Minhas amigas que enfrentaram o parto vaginal alegam que "foi a melhor coisa" que fizeram, apesar dos desconfortos (até a anestesia poder ser aplicada, sente-se um bocado de contrações, sem contar com as horas de ansiedade em trabalho de parto e a força descomunal que é preciso fazer para ajudar a expulsar o bebê). Mesmo assim, é a boa: escapa-se de um mês de pós-operatório dolorido e debilitante, aciona-se um monte de hormônios que ajudam a produzir leite e retrair o útero pro tamanho normal. Além disso, os pulmõezinhos anfíbios do bebê são ativados ao passar pelo canal, eliminando líquido amniótico. Parto normal pode ser bárbaro e aterrorizante, mas não consigo resistir ao fato de que é um sistema perfeito para duas vidas que (re)começam, a da mãe e do filhote.

Trêmula, encararei de bom grado.