sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Nascimento da Mãe

Um dos processos mais fortes que vejo envolvido na minha gravidez é a construção da minha psique de mãe. É como se cada mudança ou novidade da gestação - a descoberta do sexo do bebê, as mudanças físicas, o primeiro chute - fosse um tijolinho montando a entidade Mãe dentro de mim.

Encontrei na internet um estudo acadêmico muito legal que fala sobre isso. Ele explica que, duante a gravidez, a mãe não lida tanto com o bebê propriamente dito, mas com um bebê imaginário:

A mãe precisaria personificar o feto para que, na hora do parto, não se encontre com alguém completamente estranho a ela (Brazelton e Cramer, 1992). Essa personificação do feto vai acontecendo à medida que os pais escolhem o nome do bebê e suas roupas, e modificam a casa. Dar características aos movimentos fetais, personificar esses movimentos dizendo o que e como esse filho será, por exemplo, são formas de atribuir uma personalidade ao feto. Esse processo dá início ao que os autores denominaram de apego primordial (...)
Assim, essa imagem que a mãe forma do bebê tem como base, por um lado, seus desejos e necessidades narcisistas, e por outro a percepção dos movimentos, das atividades, dos tipos de reação que o feto tem (Brazelton e Cramer, 1992). Dessa forma, a mãe vai se preparando para o choque da separação anatômica; a adaptação a um bebê em particular; um novo relacionamento que combinará suas próprias necessidades e fantasias às de um outro ser.
Mais lá pra frente, o estudo foca no caso específico da gestante adolescente, mas vale muito ler a introdução.