quinta-feira, 8 de abril de 2010

Reconhecimento

Percebo que a maternidade ainda é a principal via de reconhecimento da mulher - da admissão, por parte da sociedade, de que essa mulher amadureceu e deve ser respeitada como um verdadeiro adulto.

Desde que engravidei, sinto uma enorme diferença de tratamento, de valorização. Outros marcos importantíssimos da minha vida, como a saída de casa, a formatura da faculdade/pós-graduação, a independência financeira - nada disso mudou a postura dos mais velhos em relação a mim, embora vivamos num mundo onde a mulher é estimulada a fazer todas essas conquistas.

De repente, dentro dos cícrulos de mulheres mais velhas e mães, eu me tornei uma igual.

Curioso, né? Até que você se torne mãe, você é vista como filha - aquela criatura que não sabe direito o que está fazendo.

É compreensível que mulheres mães se sintam mais experientes do que não-mães: sem dúvida, com a maternidade vem um crescimento superveloz, necessário para proporcionar solidez emocional na criação do filho. Estou passando por isso. Mas ao mesmo tempo, num mundo onde cada vez mais mulheres decidem não ter filhos, esse critério de reconhecimento devia mudar.

Não mudou ainda porque é muito visceral, e conceitos emocionais levam gerações para se adaptar a novas realidades.

Tomara que quando minha bebéia for grande a história seja outra!