sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Repercussão

A repercussão da barriga está sendo a mais incrível possível. As famílias estão emocionadíssimas, é o primeiro neto pra ambas as partes, uma loucura. Também estou muito orgulhosa de dar o quinto bisneto pra uma avó (meu primo e sua mulher estão grávidos de 12 semanas do quarto!) e o primeiro para outra. Tem, ainda, a família estendida: amigos íntimos dos meus pais que me viram crescer, e já estão se autodenominando "avós genéricos".

Dentre os amigos, o mais caloroso foi um super mega pai que daqui a duas semanas terá seu terceiro garoto. Ele mais sua bela gravidinha e outro casal queridíssimo com dois filhos foram os primeiros a pagar visita. De repente estavam os três homens bebendo e fumando na cozinha, dando dicas ao amado sobre como segurar a onda da gravidez; e eu no sofá da sala com as esposas, memorizando cada dica de mães experientes.

Também houve forte repercussão via e-mail. Compartilho aqui os três trechos mais lapidares:

Gente, vou mimar muito esse fedelho, comprar glitter infantil urgente! Se for menina, vai ganhar todo um guarda-roupa Marc Jacobs de glitter para toddlers, se for menino vai logo ganhar umas roupas rockers Ed Hardy.
- amiga

E agora tu é oficialmente uma entidade coletiva!
- amigo

Hoje, eu vejo que poucas coisas fazem mais sentido e são mais naturais e prazerosas do que ciceronear um serzinho mundo adentro (afora?).
- amigo

Mas ainda falta muita gente pra quem contar. Vou esperar até a 12a semana...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Revirando do Avesso

Medicina moderna é punk: bateria sem fim de exames pra fazer.

Signo

Acho que todos aqui sabem da minha fixação por astrologia. Às vezes eu me esqueço do nome da pessoa, mas jamais de seu signo. Então é evidente que, assim que calculei a provável data do nascimento do Gergelim, fui logo no meu site de mapa astral preferido para espiar qual será a disposição do céu caso ele nasça em 27 de setembro mesmo.
Confesso que não curti muito: estão previstas umas oposições e quadraturas que me incomodaram um pouco. Então olhei pros céus de uns dias antes e uns dias depois - o bebê pode nascer com alguns dias de antecedência ou atraso - e não fazia muita diferença. Decidi mandar um e-mail pro meu astrólogo: se eu pudesse escolher o dia do nasicmento do meu filho, que dia ele recomendaria? Então recebi uma lição que mudou para sempre a forma com que eu lido o assunto:

O melhor astrólogo é a natureza. Deixe que ela sinalize que o bebê esteja pronto para nascer e que o médico decida, assim a criança virá ao mundo sob o céu que melhor lhe corresponde.

(...)

O mapa astral não é a origem das facilidades ou dificuldades, apenas seu espelho. A facilidade e a dificuldade são imagens invertidas uma da outra, no mesmo espelho vazio do cosmos.

No extremo da ordem nasce a semente da desordem: depois que vc arrumar inteiramente a casa, a primeira coisa que irá acontecer e ela se desarrumar, da mesma forma que a Lua Cheia, no máximo de sua plenitude, começa a se esvaziar. Não há como ter um polo sem o outro e todas as facilidades vão se transmutar em dificuldades e vice-versa.

Nunca interferi em nenhum nascimento, nem de meus filhos.

Sobre tudo isso, uma vez escrevi o que segue:

O nada, nada no todo
O todo, está cheio de tudo,
O tudo, está todo no nada
Contudo e todo estudo,
Nada se encontra no todo
Que não seja parte de tudo
E todo cheio de nada.

Pode ser um virginiano ou um libriano na parada - tanto faz. Tanto faz o céu também. Nascendo num signo ou noutro, significará apenas que chegou bem!

Primeiro Pré-Natal: Alegria e Apreensão

Acabo de voltar da médica. Incrível como a percepção sobre a própria gravidez se aprofunda cada vez que uma descoberta nova acontece. Hoje foram várias. O mundo mudou loucamente desde as 10 horas desta manhã.

É muito estranho lidar com a felicidade e com a preocupação ao mesmo tempo, estou me achando meio bipolar, hahaha! É ainda a quinta semana e eu não tenho a menor idéia sobre se vai dar tudo certo. Então às vezes acho que não me permito ficar tão eufórica.

Daqui a duas semanas já dá pra fazer o tal exame de sangue para saber o sexo do bebê. É meio caro e eu e o amado também não estamos tão ansiosos assim. Existe uma torcida massiva para que seja menina, já que parece que todos os casais grávidos em todos os nossos círculos de amigos só trazem meninos ao mundo. Mas eu não tenho nenhuma preferência.

Minha preferência e principal fonte de nervosismo diz respeito à saúde do embrião. Se ele tá bem coladinho e se a combinação de cromossomos será bem-sucedida. A primeira resposta vamos obter assim que eu fizer o ultrassom, tipo até segunda-feira que vem; a segunda, só na décima-primeira semana, daqui a um mês.

Daí sim me sentirei segura para revelar para o resto do povo sobre a barriga. Até o momento apenas vocês, leitores do Matryoshka - família e amigos mais chegados - sabem. Bem, e todo o pessoal do amado, que não se conteve e espalhou aos quatro ventos! Hihihi!

Espero que esta seja uma gravidez bem monótona, sem surpresas nem riscos. Para que este blog seja mais um entre milhares de blogs de mais uma futura mamãe. Se algo não sair como planejado, então será um blog sobre uma superação e um recomeço. Afinal, a vida também não existiria sem superação nem recomeço.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cria da Pais & Filhos

Ontem comprei a primeira coisa relacionada ao Gergelim: uma revista Pais & Filhos (os testes de gravidez não contam). Aproveitei e comprei uma Mag! também, que é a melhor revista de moda do país e eu sou fã, tem umas imagens ótimas pra fazer colagem. Porque eu continuo sendo uma mulher que curte moda e faz colagem, né. Então cheguei em casa com uma Pais & Filhos e uma Mag! e é essa a pessoa que eu sou agora, um mix de passado, presente e futuro.
Voltando à Pais & Filhos: estagiei lá quando tinha 20 anos. Publiquei cerca de quinze reportagens assinadas. A Bloch Editora já tava na merda e aproveitava para escolher estudantes com texto forte pra gerar conteúdo a baixo custo. Eu só recebi por uma matéria, mas ainda morava com meus pais e adorava o clima de redação. Era demais. As jornalistas eram gente fina e nos envolviam em todas as etapas da produção da revista - até nas reuniões de pauta. A gente saía em carro da reportagem da Manchete pra entrevistar grávidas, mães e especialistas tipo pediatra e psicólogo. Engraçado, mas eu curtia muito escrever pra esse público.
A P&F mudou um montão desde então. Bem, o mundo mudou um montão desde então, mas sem dúvida a revista deu uma atualizada no próprio perfil. Ela foi lançada nos anos 60 vendendo uma família moderna num contexto então megacareta, ainda cheio de mitos, medos e conservadorismos referentes à gestação e aos cuidados com os filhos. Uma das primeiras capas da P&F trazia a foto de um bebê recém-nascido pendurado numa corda apenas pelas próprias mãos e pés, para mostrar que a criança nasce menos frágil do que se pensa e já com reflexos poderosos. Piração.
Na minha época de estagiária, no entanto, a linha editorial era bem mais água com açúcar. Praticamente todas as fotos eram compradas da revista alemã Eltern (cheia de criança loura, modelão colonialista) e o tom tinha que ser meio tatibitati demais pro meu gosto.
De lá pra cá a revista quase foi pro buraco junto com as demais publicações da Bloch (Desfile, Manchete, etc). Creio que foi a única que sobreviveu - para isso, precisou dar uma atualizada forte. Me identifiquei. Às vezes beira aquela linguagem GNT, meio motherninha-afetadinha, mas no geral presta. Agora a editora é a Mônica Figueiredo, que comandava a Capricho nos anos 80 (meu pai assinava a Capricho pra mim, hahaha!).
A Crescer pode até ser melhor - não sei, ainda não li - mas continuo enxergando-a como con-cor-ren-te...!

Salivando ao Menor Pensamento

Pode ser um pouco cedo para sentir isso, mas tem rolado um foco intenso em proteína. Tudo pra mim é peixe e frango agora. Com arroz, que eu nunca liguei muito. Tesão zero por doce ou massas, pela primeira vez na vida.

Tenho que aproveitar - vai que daqui a pouco começo a ter que lutar contra vontade por porcaria.

Objetivos Fit

Consegui dormir bem pela primeira vez desde que soube da gravidez. Acho que tem a ver com os quase 50 minutos de caminhada na praia que engatei ontem no fim da tarde. Era pra ser 20 minutos - ida e volta - mas fui me sentindo tão bem que fiz mais outra ida e volta. E depois outra meia ida e meia volta. Tudo de bom na vida do ser humano.

O peso é, junto com a permanência do embrião e a saúde do bebê, minha grande preocupação. Praticamente a vida inteira estive meio acima do peso. Preciso engordar o mínimo possível, e pretendo aproveitar as primeiras semanas para enxugar um pouquinho, até. Mas sem dietão nem exercício puxado - de jeito nenhum. Amanhã é dia da primeira consulta pré-natal e pretendo sair de lá com todas as coordenadas. Tô catando nutricionista e o escambau.
Meu médico citou um caso extremo: certa vez acompanhou uma paciente bolinha, de 90 quilos, durante a gravidez, e ela engordou apenas seis de um bebê supersaúde. Ou seja, impossível não é. E, com acompanhamento, também não é perigoso. Perigoso é estar com sobrepeso e engordar como uma mulher magrinha tem direito.
Incrível a motivação que a gravidez nos traz.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Estágios 1

Toda semana uma grande amiga repassava um e-mail falando sobre o tamanho que o embrião na barriga dela tinha. Eu respondia ih, que legal, tá do tamanho de um feijão! ou algo que o valha. E a gente morria de rir. Quando ela soube da minha barriga, deu o troco: ele tá do tamanho de um girino ou de uma fofolete?

Tá do tamanho de um gergelim, amiga! Embora o amado insista em chamá-lo de minduim. O amado está duas semanas adiantado! É todo um imprint Snoopie na situação.

Preparei uma lista de analogias para cada semana de desenvolvimento do bebê:

primeira, segunda e terceira semanas: amontoado de células

quarta semana: tamanho de um glitter

quinta semana: de um gergelim

sexta semana: de uma lentilha

sétima semana: de um amendoim

oitava semana: de um girino bombado

nona semana: de uma bola de gude

décima semana: de uma tampinha de garrafa de água mineral

Daí quando eu chegar na décima primeira semana a gente continua.

Aviso

Surto de dengue no litoral de São Paulo, Paraná e talvez em Belo Horizonte.
Afastem-se do Rio de Janeiro pro seu próprio bem, mosquitos. I´m warning you.
(O instinto de preservação bateu fortíssimo desde que soube que sou uma entidade coletiva)

Dedos Cruzados

No momento meu maior desejo é que os cromossomos estejam em ordem.

A Resistência

Mulheres são, desde cedo, direcionadas para a idéia da maternidade. Pesquisadores do comportamento infantil, então, vão além: eles juram que meninas procuram instintivamente a boneca - como se, mesmo antes dos hormônios entrarem em ação, elas já levassem gosto pela coisa.

Só que com o passar do tempo essas coisas podem mudar. Nem sempre eu quis ser mãe: nos últimos anos, cada vez mais acostumada com minha autonomia (fui morar sozinha, feliz da vida, aos 21) eu estanhava muito abrir mão de uma vida livre e fabulosa para cuidar de um bebê.

Estamos no século XXI mas ainda hoje mulheres que pensam dessa forma são muito julgadas. Provavelmente eu mesma esteja sendo julgada por assumir ter sido assim. Mas não há nada de errado com mulheres como nós! Não há nada de errado com mulher nenhuma, quer tenha ela nascido para ter uma superninhada, quer tenha ela nascido para viver apenas as delícias da autonomia. Erradas estão aquelas que não refletem sobre a condição feminina e se entregam à maternidade simplesmente para cumprir um papel social.

Bem: hoje, com o Gergelim na barriga (ele tem o tamanho de um gergelim, minha gente!) tenho certeza de que a maternidade sempre esteve comigo até quando eu não estava com ela; e tenho certeza de que meu grande terror - ser abduzida pelo papel de mãe e perder minha identidade, minha singularidade - não vai rolar. Not gonna happen. Na real é o Gergelim que está condenado a uma vida fabulosa! O quarto dele vai ter minha arte nas paredes e seu papai já mandou avisar que ele vai ouvir muito The Smiths!

Love Is You

Engravidar acabou sendo muito, mas muito melhor do que eu imaginava. Do que um dia eu fantasiei ou achei que seria. Não apenas porque começou no melhor dos mundos – primeira tentativa após parar de tomar a pílula – mas porque, e acima de tudo, eu não sabia que podia, na vida, levar uma felicidade tão grande a um homem: o pai do meu filho, meu marido, amante e namorado, meu senhor e tábua de salvação na montanha-russa emocional que estão sendo esses últimos dias.

Na vida a gente namora, se apaixona, encontra mil pessoas especiais. Mas acho que pouca coisa se compara ao tamanho do amor que pode existir entre alguns casais barrigudos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Amy Winehouse Manda Lembranças

é tanto não pode beber-fumar-comer-pular-tomar remédio que a gravidez já tá se tornando o maior rehab da história!

Outras Novidadíssimas

De repente você descobre que não sabia nada sobre gravidez. Eu estagiei em revista de criança e ignorava que:

1. Esse esquema de contar a gravidez em semanas não começa na concepção e sim no primeiro dia da sua última menstruação. Ou seja, você já conta como grávida antes de engravidar.

2. Sintomas de TPM e gravidez são parecidíssimos. A diferença é que os da gravidez nunca passam.

3. Mesmo tendo uma vida cheia de intensidades, até engravidar eu simplesmente não conhecia as emoções mais fortes e malucas de que um ser-humano é capaz*
*É uma generalização pessoal, amigos. Tenho certeza de que milhões de pessoas são capazes de sensações tão especiais em searas outras que não a da reprodução.

Testes de Gravidez

Os de farmácia alegam 99,4% de acerto mas todo mundo continua duvidando deles. Talvez porque sejam muito fáceis em comparação com os de sangue, que envolvem viagem ao laboratório, agulhada no braço, band-aid, espera pelo resultado. ninguém dá valor às soluções simples.

Uma das várias coisas que aprendi nessas últimas 48 horas é que teste de farmácia só dá errado quando a mulher está gravida e o teste dá negativo. Se der positivo, como aconteceu comigo, não tem muito erro. Porque é possível que o hormônio da gravidez ainda esteja fraco na urina (falso negativo), mas, se existir em quantidade, é porque você está grávida de verdade (positivão). Mesmo assim parece que a maior parte das pessoas só sossega quando você esfrega a porra do exame de sangue na cara delas, e isso é muito irritante. Sobretudo quando você já fez dois testes de urina positivos, que é o meu caso - de tanto que escutei, ok, mas você tem que fazer o de sangue para confirmar.

Por causa disso levantei totalmente histérica ontem de manhã e acordei o amado para fazermos o exame de sangue numa unidade emergencial do laboratório. Como o resultado só sairia mais tarde, ainda fiz meu pobre companheiro comprar outro testezinho de urina, só pra me acalmar. Neste ínterim a percepção das coisas estava tão alterada que eu realmente comecei a torcer para que fosse uma gravidez legítima: se aquela zona mental não estivesse sendo provocada pelos hormônios, eu tava ficando mucholôka.
Update: o teste de sangue positivou!

Positivo e Operante

Combinamos que, se eu não sangrasse até sexta-feira, faríamos o teste. Eu começava a gostar muito daquele atraso e não queria me aprofundar numa hipótese que poderia se provar falsa: se fosse um engano, precisava saber logo. Afinal, apesar de atrasada, era difícil acreditar que engravidaríamos assim, de primeira. E eu tava com todos os sintomas da TPM, supermanjados, imagina.

Mesmo assim ignorei o teste de gravidez que o amado trouxe a meu pedido: li a embalagem e deixei de lado. Mais de hora se passou até que ele disse, vamos fazer o teste? Eu, tenho que esperar juntar xixi, pô. São dez segundos mijando em cima do palitinho. Fiquei um pouco mais atenta à bexiga. Logo achei que tinha xixi suficiente. Mirei no teste e mandei bala. Olhei o relógio e falei pro amado, cinco minutos.

Em menos de um dava pra ver a listrinha de controle bem rosa-choque e outra se formando, hmmm, tem outra se formando. A listrinha de controle sozinha é negativo; listrinha de controle mais outra igual é positivo. Na nossa frente rolava um positivo em andamento. O amado andava eufórico de um lado pro outro, do quarto pra sala, sem parar. Esquecendo-me de que apenas após cinco minutos o resultado seria claro e definitivo, me perguntava se aquele rosa médio valia como positivo. Pega a bula, lê de novo. Final das contas: duas listrinhs rosa-choque amissíssimas no visor.

Foi uma das sensações mais inéditas do mundo. Pega todas as emoções mais poderosas e joga numa coqueteleira, e é isso que eu venho sentindo desde então (mais um monte de hormônios pra animar a festa). É tanta excitação que, contrariando o tradicional sono excessivo previsto para o primeiro trimestre, tenho dormido pouco. É um estado de alerta: não quero perder um minuto dessa história!