Ontem comprei a primeira coisa relacionada ao Gergelim: uma revista Pais & Filhos (os testes de gravidez não contam). Aproveitei e comprei uma Mag! também, que é a melhor revista de moda do país e eu sou fã, tem umas imagens ótimas pra fazer colagem. Porque eu continuo sendo uma mulher que curte moda e faz colagem, né. Então cheguei em casa com uma Pais & Filhos e uma Mag! e é essa a pessoa que eu sou agora, um mix de passado, presente e futuro.
Voltando à Pais & Filhos: estagiei lá quando tinha 20 anos. Publiquei cerca de quinze reportagens assinadas. A Bloch Editora já tava na merda e aproveitava para escolher estudantes com texto forte pra gerar conteúdo a baixo custo. Eu só recebi por uma matéria, mas ainda morava com meus pais e adorava o clima de redação. Era demais. As jornalistas eram gente fina e nos envolviam em todas as etapas da produção da revista - até nas reuniões de pauta. A gente saía em carro da reportagem da Manchete pra entrevistar grávidas, mães e especialistas tipo pediatra e psicólogo. Engraçado, mas eu curtia muito escrever pra esse público.
A P&F mudou um montão desde então. Bem, o mundo mudou um montão desde então, mas sem dúvida a revista deu uma atualizada no próprio perfil. Ela foi lançada nos anos 60 vendendo uma família moderna num contexto então megacareta, ainda cheio de mitos, medos e conservadorismos referentes à gestação e aos cuidados com os filhos. Uma das primeiras capas da P&F trazia a foto de um bebê recém-nascido pendurado numa corda apenas pelas próprias mãos e pés, para mostrar que a criança nasce menos frágil do que se pensa e já com reflexos poderosos. Piração.
Na minha época de estagiária, no entanto, a linha editorial era bem mais água com açúcar. Praticamente todas as fotos eram compradas da revista alemã Eltern (cheia de criança loura, modelão colonialista) e o tom tinha que ser meio tatibitati demais pro meu gosto.
De lá pra cá a revista quase foi pro buraco junto com as demais publicações da Bloch (Desfile, Manchete, etc). Creio que foi a única que sobreviveu - para isso, precisou dar uma atualizada forte. Me identifiquei. Às vezes beira aquela linguagem GNT, meio motherninha-afetadinha, mas no geral presta. Agora a editora é a Mônica Figueiredo, que comandava a Capricho nos anos 80 (meu pai assinava a Capricho pra mim, hahaha!).
A Crescer pode até ser melhor - não sei, ainda não li - mas continuo enxergando-a como con-cor-ren-te...!