A feminista francesa Elizabeth Badinter acaba de lançar um livro que acusa o movimento ecológico de oprimir o feminismo, a medida em que impõe a amamentação, o regresso às fraldas de pano e outros hábitos de criação dos filhos que, no passado, prendiam as mulheres em casa, impedindo sua emancipação.
Embora eu sinta atração natural por assuntos polêmicos - chacoalhar opiniões formadas costuma me fazer bem -, considero muito perigoso tomar partido incondicional de militâncias em geral, ecologia e feminismo incluídos. Mas agora que estou grávida, admito que o que Elizabeth coloca faz algum sentido para mim. É evidente que não se trata de um grupo de misóginos do Partido Verde numa conferência secreta conspirando conscientemente para tirar o mulherio da jogada. Mas a equação correção ecológica versus mãe que trabalha me parece longe de um resultado equilibrado (pelo menos enquanto as usinas de reciclagem de fraldas descartáveis não for uma ampla realidade).
Eu, uma ex-semi-paranóica com relação a detonação ambiental e aquecimento global, admito com dó: só daria para ser ecologicamente correta durante a licensa-maternidade, quando haveria algum tempo para se engajar nas premissas da maternidade verde, que inclui fraldas de pano, aleitamento exclusivamente no seio e tudo mais. Depois disso, as praticidades que permitem à mãe trabalhar fora transformariam os bebês em pequenos desastres ecológicos. É a realidade.
Eu super respeito eco-chatos. Se tivéssemos parado de ridicularizá-los e começado a levá-los a sério há décadas atrás, talvez minha filha que ainda nem nasceu não correria o risco de enfrentar escassez de água ou verões de 50 graus. Só que infelizmente o papel da mãe que fica em casa - uma das atividades mais exaustivas e fundamentais do mundo - tem valor zero, e foi-se o tempo em que qualquer pai de família era capaz de sustentar o clã sem a ajuda do salário da mulher. E sem alimentos industrializados, fraldas descartáveis e creche/ babá, não há mulher que consiga voltar pra trabalhar.
Elizabeth Badinter vai além: para ela, a natureza virou o novo Deus. De fato: eu, que no momento me esforço para me acostumar com a probabilidade de dar à luz via parto normal (sim, sou uma mulher do século XXI totalmente avessa a dor e ao sacrifício!), fico de cara com o hit que parir em casa se tornou. Muita gente me aborda já presumindo que o parto será natural, e poucos conseguem esconder a pequena surpresa que se faz quando admito que não encaro horas de contrações horrorosas e a expulsão do bebê com romantismo. Normalmente concluo o papo com "Se for natural, o marido está proibido de sair do lado do meu ombro, e não vou querer que ninguém filme ou fotografe". Para minha sorte, estamos no Brasil, onde minha obstetra já entendeu que vou querer todas as anestesias a que tenho direito, porque Badinter informa: "Em nome desta ideologia naturalista, nos países escandinavos quase não há mais anestesia peridural nos partos, ela até mesmo é fortemente desaconselhada."
Embora eu sinta atração natural por assuntos polêmicos - chacoalhar opiniões formadas costuma me fazer bem -, considero muito perigoso tomar partido incondicional de militâncias em geral, ecologia e feminismo incluídos. Mas agora que estou grávida, admito que o que Elizabeth coloca faz algum sentido para mim. É evidente que não se trata de um grupo de misóginos do Partido Verde numa conferência secreta conspirando conscientemente para tirar o mulherio da jogada. Mas a equação correção ecológica versus mãe que trabalha me parece longe de um resultado equilibrado (pelo menos enquanto as usinas de reciclagem de fraldas descartáveis não for uma ampla realidade).
Eu, uma ex-semi-paranóica com relação a detonação ambiental e aquecimento global, admito com dó: só daria para ser ecologicamente correta durante a licensa-maternidade, quando haveria algum tempo para se engajar nas premissas da maternidade verde, que inclui fraldas de pano, aleitamento exclusivamente no seio e tudo mais. Depois disso, as praticidades que permitem à mãe trabalhar fora transformariam os bebês em pequenos desastres ecológicos. É a realidade.
Eu super respeito eco-chatos. Se tivéssemos parado de ridicularizá-los e começado a levá-los a sério há décadas atrás, talvez minha filha que ainda nem nasceu não correria o risco de enfrentar escassez de água ou verões de 50 graus. Só que infelizmente o papel da mãe que fica em casa - uma das atividades mais exaustivas e fundamentais do mundo - tem valor zero, e foi-se o tempo em que qualquer pai de família era capaz de sustentar o clã sem a ajuda do salário da mulher. E sem alimentos industrializados, fraldas descartáveis e creche/ babá, não há mulher que consiga voltar pra trabalhar.
Elizabeth Badinter vai além: para ela, a natureza virou o novo Deus. De fato: eu, que no momento me esforço para me acostumar com a probabilidade de dar à luz via parto normal (sim, sou uma mulher do século XXI totalmente avessa a dor e ao sacrifício!), fico de cara com o hit que parir em casa se tornou. Muita gente me aborda já presumindo que o parto será natural, e poucos conseguem esconder a pequena surpresa que se faz quando admito que não encaro horas de contrações horrorosas e a expulsão do bebê com romantismo. Normalmente concluo o papo com "Se for natural, o marido está proibido de sair do lado do meu ombro, e não vou querer que ninguém filme ou fotografe". Para minha sorte, estamos no Brasil, onde minha obstetra já entendeu que vou querer todas as anestesias a que tenho direito, porque Badinter informa: "Em nome desta ideologia naturalista, nos países escandinavos quase não há mais anestesia peridural nos partos, ela até mesmo é fortemente desaconselhada."
Se a gente for radicalizar, entraremos no mérito da superpopulação, que já é catastrófica em si. E aí, o que a gente faz para salvar o planeta? Extinção humana voluntária? Tenho certeza de que o processo seria muito, muito triste: viver num mundo sem a possibilidade de redescobri-lo através dos olhos de um filho, sem ter uma criança para depositar a esperança de que as coisas mudem, me traria a certeza de que de fato não faria sentido continuar existindo.