Comecei a ler "O Segredo de uma Encantadora de Bebês" - livro da enfermeira Tracy Hoggs. Tracy é perita em interpretar os diferentes choros do bebê e nos ensina a ver o mundo através do olhos dos pequenos - o que ajuda muito a diminuir o nível de ansiedade dos pais, aumentando suas chances de tranqüilizar os filhos. Ela também insiste na importância de estabelecer uma rotina para os bebês: criança gosta de previsibilidade.
Dou a maior atenção às dicas de Tracy. O que eu mais quero é que minha bebéia seja o mais tranqüila possível e que o ambiente doméstico seja poupado do caos. Na verdade, tranqüilidade é um padrão que desejo estabelecer para toda a vida da minha filha. Essa idéia se encaixa num movimento mais genérico chamado Slow, cujo objetivo é adotar um estilo de vida mais desascelerado e verdadeiro. Então tem o slow food, que é se alimentar melhor, sem comida junk; e as slow cities, que são cidades projetadas para evitar engarrafamentos, muito barulho e favelização. Na área da criação de filhos, o movimento Slow acaba de ganhar o livro "Sob Pressão".
Não li o "Sob Pressão", mas curti muito a entrevista feita com Carl Honoré, o autor. Slow na criação dos filhos não tem nada a ver com permissividade ou falta de disciplina, pelo contrário: a infância é uma fase onde deve haver aprendizado e superação, mas isso não significa que deve ser uma competição, uma corrida. Criar filhos não é desenvolver um produto. Carl Honoré adverte sobre o perigo de nos tornarmos pais que neurotizam os filhos com a obrigação de passar no vestibulinho daquela escola concorridíssima (vestibulinho, meu deus?!), de entupir a criança de atividades esportivas e cursos de idiomas e computação e artes... crianças devem se parecer mais com exploradores e aprendizes do que com míni-executivos.
É lógico que adultos "apressadinhos" estão fazendo o que julgam ser melhor para os filhos, mas acho que as crianças acabam pagando o pato. Pode ser que os próprios pais se sintam pressionados pela sociedade a fabricar crianças-modelo, mas pode ser também que estejam tentando realizar desejos não alcançados por eles próprios através dos filhos. O resultado é que as crianças ficam exaustas, e acabam acreditando que só serão amadas se conseguirem dar conta de tudo. Vira e mexe rola um reality na tevê mostrando famílias assim. Sinto sempre muita pena dos pequenos...
É compreensível que queiramos proporcionar aos filhos aquilo que não tivemos (eu mesma já assumi aqui que gostaria de ter aprendido música ainda na infância, e que pretendo dar essa chance à minha filha); o problema começa quando os pais, mesmo inconscientemente, sonham que a criança se transforme no próximo Bill Gates, Picasso ou Michael Phelps, ou matricule o pobrezinho em mais três atividades extra-curriculares. Aí não dá.
Crianças dispõem de uma infância e uma adolescência inteiras para iniciar, no melhor tempo, quaisquer que sejam as atividades que possam lhes ser significativas durante a vida. Será mesmo necessário espremê-la em calendários tão cheios de coisas para fazer e exigir que elas sejam tão brilhantes em cada uma delas? Será que tanta expectativa não acaba destruindo a auto-estima do filho? Acredito que uma boa criação tem mais a ver com apresentar diferentes atividades e respeitar as preferências e o desempenho que a criança é capaz de oferecer.
A Alanis Morrissete tem uma música super tocante sobre esse assunto. Se chama "Perfect", e é como se os pais estivessem cantando para o filho. O fim da letra sugere como a criança muitas vezes lida com esse excesso de expectativas que uma agenda muito cheia traz:
Dou a maior atenção às dicas de Tracy. O que eu mais quero é que minha bebéia seja o mais tranqüila possível e que o ambiente doméstico seja poupado do caos. Na verdade, tranqüilidade é um padrão que desejo estabelecer para toda a vida da minha filha. Essa idéia se encaixa num movimento mais genérico chamado Slow, cujo objetivo é adotar um estilo de vida mais desascelerado e verdadeiro. Então tem o slow food, que é se alimentar melhor, sem comida junk; e as slow cities, que são cidades projetadas para evitar engarrafamentos, muito barulho e favelização. Na área da criação de filhos, o movimento Slow acaba de ganhar o livro "Sob Pressão".
Não li o "Sob Pressão", mas curti muito a entrevista feita com Carl Honoré, o autor. Slow na criação dos filhos não tem nada a ver com permissividade ou falta de disciplina, pelo contrário: a infância é uma fase onde deve haver aprendizado e superação, mas isso não significa que deve ser uma competição, uma corrida. Criar filhos não é desenvolver um produto. Carl Honoré adverte sobre o perigo de nos tornarmos pais que neurotizam os filhos com a obrigação de passar no vestibulinho daquela escola concorridíssima (vestibulinho, meu deus?!), de entupir a criança de atividades esportivas e cursos de idiomas e computação e artes... crianças devem se parecer mais com exploradores e aprendizes do que com míni-executivos.
É lógico que adultos "apressadinhos" estão fazendo o que julgam ser melhor para os filhos, mas acho que as crianças acabam pagando o pato. Pode ser que os próprios pais se sintam pressionados pela sociedade a fabricar crianças-modelo, mas pode ser também que estejam tentando realizar desejos não alcançados por eles próprios através dos filhos. O resultado é que as crianças ficam exaustas, e acabam acreditando que só serão amadas se conseguirem dar conta de tudo. Vira e mexe rola um reality na tevê mostrando famílias assim. Sinto sempre muita pena dos pequenos...
"Estamos vivendo numa cultura que nos diz que a infância é preciosa demais para ser deixada para as crianças e que crianças são preciosas demais para serem deixadas em paz" - Carl Honoré
É compreensível que queiramos proporcionar aos filhos aquilo que não tivemos (eu mesma já assumi aqui que gostaria de ter aprendido música ainda na infância, e que pretendo dar essa chance à minha filha); o problema começa quando os pais, mesmo inconscientemente, sonham que a criança se transforme no próximo Bill Gates, Picasso ou Michael Phelps, ou matricule o pobrezinho em mais três atividades extra-curriculares. Aí não dá.
Crianças dispõem de uma infância e uma adolescência inteiras para iniciar, no melhor tempo, quaisquer que sejam as atividades que possam lhes ser significativas durante a vida. Será mesmo necessário espremê-la em calendários tão cheios de coisas para fazer e exigir que elas sejam tão brilhantes em cada uma delas? Será que tanta expectativa não acaba destruindo a auto-estima do filho? Acredito que uma boa criação tem mais a ver com apresentar diferentes atividades e respeitar as preferências e o desempenho que a criança é capaz de oferecer.
A Alanis Morrissete tem uma música super tocante sobre esse assunto. Se chama "Perfect", e é como se os pais estivessem cantando para o filho. O fim da letra sugere como a criança muitas vezes lida com esse excesso de expectativas que uma agenda muito cheia traz:
Nós vamos te amar
Do jeito que você é
Se você for perfeito
Duro, né?