terça-feira, 30 de março de 2010

Tragicômico: Nomes de Meninas

Finalmente comecei a explorar, ainda que clandestinamente (ou seja, sem me afiliar), comunidades de mulheres grávidas ou já mães de meninas no Orkut.

Os tópicos de discussão são altamente emocionais e, confesso, me causam identificação - a despeito de erros crassos de português ou formas mongolóides de se expressar. Acho que toda mulher fica um pouco retardada quando descobre que terá uma versão humana daquela boneca da infância. A gente perdoa.

Mas há um tópico que me causa arrepios: o dos nomes escolhidos pras bebéias. Aí você pensa, "o Brasil é muito pós-moderno, né?" Aqui vai uma compilação com os piores, embora revelados com extremo orgulho pelas mães (formas de grafar o nome e combinações esdrúxulas contam como aberração):

- Emilly Grabrielli
- Aishla Mickaela (!)
- Lunna Emanuelle
- Mahara
- Izabelly
- Thamyris
- Dafny Cristina
- Kamylle Rebecca
- Agatha Izabelly
- Adrielle
- Sophia Mirelly
- Nayrim
- Kayara Isabella
- Anaellen Thaysa
- Dâmaris Hadassa
- Sandy Nayara
- Tauane
- Elisama
- Yndara
- Andreisse Princess (é sério)
- Lycia Viviane
- Layenne
- Liandra Evelyn
- Geandra
- Aysha Jamile
- Monycy Rafaely
- Elisyane
- Kethlen Stephany
- Eyshila

Gente, que fixação é essa pela letra Y para menina?

Quem me conhece sabe que eu sou muito pela escolha de nomes pouco batidos para os filhos... mas imaginação tem limite!

Entre os nomes bonitinhos normais, há pencas de Sofias, Marias Eduardas, Vitórias (acho que todo casal que teve dificuldade de ter filhos escolhe esse nome), Giovannas, Manuelas, Laras, Alanas e Anas Julias.

14 Semanas: Quarto Ultrassom


Ô bebéia pra ganhar ultrassom!

Dessa vez eu e o amado fomos intimados pela vovó genérica radiologista para passar para dar mais uma olhadinha - com a participação especial dos avós maternos!

Nossa filhota está mais agitada que nunca: cruzou e descruzou as perninhas (que já são compridas, vejam-nas esticadas à direita), abriu e fechou a boquinha, ensaiou movimentos de sucção... fervida a menina!

E deve ser menina mesmo: pedi pra vovó radiologista dar uma conferida nos genitais, pra ver se bate com o resultado do exame de sexagem fetal, e a princípio o sexo é de fato feminino.

A fotinho acima foi pro meu muralzinho particular do escritório!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Hidroginástica: a Gangue das Velhinhas

Já comentei aqui que entrei na hidroginástica. Estou adorando, nunca perdi uma aula. Curto muito me exercitar, há alguns anos eu era a monstra do spinning das 6:30 da manhã, mas minha rotina mudou e desde então ficou difícil me adaptar à academia lotada nos finais de tarde. Só que agora existe uma gravidez pela frente e uma demanda real por um bom condicionamento físico.

Exercício na água é tudo de bom na vida - ainda mais com esse calorão. É superindicado para gestantes porque trabalha a capacidade aeróbica e a musculatura com risco mínimo de pancadas e zero de quedas. Fora que, com o passar do tempo, a água alivia o peso do barrigão.

Por quase todos esses mesmos motivos é que hidroginástica também é a atividade preferida de pessoas idosas - por alguma razão, mais das velhinhas do que dos velhinhos. Na minha turma, por exemplo, só tem mulher: umas quinze coroas acima de 70 anos, três senhoras entre 40 e 70 e duas moças com menos de 40, que sou eu e outra menina não-grávida.

Ou seja: a piscina é território das velhinhas. Elas dominam incondicionalmente.

Logo no meu primeiro dia a líder delas, de óculos Jackie O. e batom vermelho, já dentro da piscina com duas comparsas, me abordou antes de eu entrar, perguntou meu nome e me deu boas-vindas. Tipo, mega simpática, mas ao mesmo tempo com aquele quê de representante de turma, de chefe da cambada! Elas sabem que comandam geral, mas gostam de ser graciosas com quem não faz parte da gangue delas (são especialmente fofas quando descobrem que estou grávida).

As velhinhas se agrupam em rodinhas de três ou quatro e passam a aula inteira fofocando. Elas só param de falar quando a professora, do lado de fora da piscina, mostra o exercício novo - e então retomam o assunto. É impressionante como elas conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo! É claro que o vigor dos exercícios sofre com a falta de foco, mas acho que, para elas, a boa-forma tem a mesma importância que a social. No final das contas, é muito alto-astral ver esse monte de mulher, no entardecer de uma vida onde ser mulher era bem menos divertido do que hoje, se mexendo, rindo e tagarelando como se não houvesse amanhã.

Elas todas se parecem muito. De toca, então, são quase indistingüíveis. Comecei a notar melhor seus rostos esta semana, quando fiquei uns dez minutos na hidromassagem depois da aula, na companhia delas. Mas elas também me confundem direto com a outra moça da minha idade. Hahahaha!

No momento o grande frisson é a compra de um ovo de páscoa gigante que elas estão organizando, em segredo, com o resto da turma. Elas sentem um enorme prazer em driblar a professora para arrecadar os R$5 de cada aluna e anotar no caderninho de páginas enrugadas e tinta manchada por causa da água da piscina.

Pretendo muito continuar na hidro depois que a bebéia nascer. As velhinhas são sensacionais, garantia de diversão aula após aula!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Duas Agulhas

Agulha 1: vacina contra a gripe suína. Rapidinha e indolor.

Agulha 2: acupuntura! Que na verdade é feita com várias agulhinhas. Comecei essa semana com uma amiga querida, médica especializada em medicina chinesa. Estou até agora boba com os resultados: em apenas uma sessão comecei a dormir melhor, minha azia desapareceu quase que completamente e a tensão muscular que tomou meu pescoço há alguns dias sumiu. Pretendo continuar entrando na agulha semanalmente até o fim da gestação. É uma maravilha, sobretudo num período em que devemos evitar a maior parte dos medicamentos.

Outros dados estarrecedores sobre os benefícios da acupuntura durante a gravidez, segundo a Revista Crescer:

- 63% das mulheres tratadas com acupuntura específica mostraram melhora dos sintomas da depressão, enquanto a técnica tradicional ajudou cerca de 37,5%;

- o grupo escolhido para fazer a acupuntura reduziu em 75% a intensidade da azia, contra 44% das mulheres que fizeram tratamento convencional para o problema.

Já é!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Nacho Libre!

É por isto que eu quero que minha filhota cresça com felinos por perto!

Só o Bebê Salva

Pesquisa norte-americana aponta a maternidade, e não o casamento, como condição que motiva mulheres delinqüentes a abandonar o crime.

Baby power!

Banho de Balde!

Uma das vovós genéricas da minha bebéia mandou um link para um artigo sobre a crescente popularidade do banho de balde entre bebês pequenos.

Existem duas coisas que me dão ansiedade: trocar fraldas e dar banho no bebê. Eu não tenho idéia de como fazer! É claro que todo mundo aprende rapidinho - nem que seja na marra! - mas admito que a idéia do baldinho foi tranqüilizadora. Parece bem mais simples do que encarar aquele banheirão de armar!

Valeu pela dica, vovó genérica querida! ;)

terça-feira, 23 de março de 2010

O Corpo que (Não) Muda

Treze semanas: terceiro para quarto mês. Conseguindo estabilizar o ganho de peso total em dois quilos até agora, mas mesmo assim já rola uma barriguinha. Começamos a notá-la na semana passada. Eeeeeeeeeeeeeeee!

Apesar disso, apertados só ficaram dois vestidos até agora - e mesmo assim na altura dos seios. Engraçado, porque meus sutiãs continuam servindo. Vai entender.

Nunca fui tão certinha com os cuidados com a saúde - afinal, minha bebéia depende 200% dele, e o equilíbrio orgânico da gestante é mais frágil do que parece. Mesmo com exames excelentes, sempre existe o risco de um diabetes gestacional ou aumento de pressão. A simples menção a qualquer complicação me dá calafrios. Então a visita ao nutricionista valeu mais que a pena, porque aprendi um monte de coisas que estão super funcionando.

A primeira e mais fundamental é a velha e boa regra de se alimentar de três em três horas. O nível de açúcar no sangue da gestante cai bastante rápido porque o feto está sempre ali, demandando; então é muito importante comer em pequenos intervalos para mantê-lo constante. Aliado a isso, é fundamental substituir açúcares simples (doces, pães e arroz brancos) por complexos (pães e arroz integrais, frutas, etc): o açúcar simples eleva muito rápido, e derruba muito rápido, o índice glicêmico do sangue, desregulando o apetite da gestante. Os complexos mantêm o índice muito mais estável, a sensação de saciedade se prolonga e o risco de diabetes gestacional diminui.

Essa história de açúcar no sangue é tão séria que, quando cai muito rápido, o próprio bebê sente.

A segunda regra de ouro é em relação ao sal: pouco, pra não aumentar a pressão e não gerar inchaços desconfortáveis. A gestante está cheia de hormônios que provocam, por si só, aumento da pressão. Além do sal de saleiro, embutidos tipo salsichas, presunto, patês e defumados são um big no-no. Queijos, que também podem ser bem salgadinhos além da conta, são mais permitidos, por conta do cálcio. Mas há de se ter moderação.

Uma vez por semana me permito uma extravaganciazinha, porque:

1. neurótica eu nunca fui

2. estou indo superbem

3. o nutricionista liberou

Mesmo assim doces, que sempre foram o meu desespero, não têm sido meu alvo predileto. De novo: vai entender!

Outro megacuidado que tenho seguido à risca são minhas amadas aulinhas de hidroginástica, três vezes por semana - mas esse assunto merece um post à parte. Aguardem!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sinal Verde!

Ontem rolou o exame que eu tanto esperava: a translucência nucal, que indica a probabilidade de problemas cromossomiais do bebê. Felizmente faz um dia lindo dentro da placenta! Nossa neném está bombando de saúde e deu um show pro ultrassom! Dessa vez gravamos tudo em DVD.

Não existem palavras que descrevam a intensidade dos sentimentos que me acometem quando eu a vejo no ultrassom. É para isso que serve a poesia - para dar sobrevida, dimensões transcendentes, à comunicação. Então fiz uma, muito boba em sua forma, mas cheia de significados muito importantes para mim:

Não existe nada
Nem ninguém
Senão os do meu sangue
E o teu pai
Que um dia tenha sido amado
Como eu te amo,
E mesmo assim,
Você é mais.

Sua porcariazinha tão pequena,
E já tão poderosa
Vontade de triunfo,
De poder,
Vontade de vida
Quando te vejo, querida
Só faço é babar!

Você me pegou na hora certa,
Do pai exato.
Tudo o que hoje sei
É que, antes, pude viver muito
E ser radiante, tanto
Que afirmo categoricamente,
Com conhecimento de causa:
Nenhum outro amor,
Ou êxtase,
Ou sucesso,
Esteve aos pés da felicidade
E do sentido
Que a vida ganhou
Desde que você chegou.

terça-feira, 16 de março de 2010

O Grande (e Sábio) Sufoco da Vida

Desde que eu engravidei, alguns programas de TV ficaram mais interessantes. Por exemplo: eu adoro assistir "Nascimentos" e "História de um Bebê", do Discovery Home & Health. São documentários de meia hora protagonizados por algum casal em trabalho de parto, culminando com a chegada do bebê ao mundo.

Em estado não gravídico, todos concordam que as histórias são meio parecidonas e freqüentemente apresentam detalhes péssimos (uma gestante que engordou tanto que ficou parecendo uma foca, disfunções placentárias que colocam o bebê em risco, etc). Mas nada é mais assustador do que o programa sobre a primeira semana do bebê em casa. Hahaha!

A medalha de ouro da televisão reprodutiva, no entanto, vai para a série "Vida no Ventre" (NatGeo) e o novíssimo especial "A Grande Corrida da Vida", do Discovery Channel. Esse aí é tudo de bom.

"A Grande Corrida da Vida" é um "Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo..." com dados científicos substituindo as piadas do Woody Allen: tem centenas de atores fantasiados de espermatozóides percorrendo cenários que equivaleriam, em dificuldade e dimensões, aos ambientes enfrentados por eles para chegar até o óvulo. Tais cenas são combinadas com imagens de cientistas explicando o perrengue que os gametas masculinos passam na tentativa de se tornar zigoto.

Pra começo de conversa, os espermatozóides que estão na dianteira ficam espremidos dentro do canal seminal do homem esperando uma ejaculação que os libertem. É uma situação tão claustrofóbica que nós, mulheres, até achamos que existe algum sentido quando um ou outro homem diz que vai passar mal se não transar com alguém. Na verdade, é a pressão que os espermatozóides estão fazendo pra sair daqueles canais apertados! Mentira, não acredito que homens precisam mais de sexo que as mulheres nem nada, mas que dá agonia ver tanto espermatozóide comprimido, esperando sair, isso dá.

Daí o homem transa e eles finalmente são liberados. Fim dos problemas, certo? Errado, é o começo deles! Os espermatozóides precisam sair da vagina e entrar no útero através do buraquinho que fica no colo, que não só é meio difícil de alcançar como todas as paredes são cheias de canaizinhos que dão em lugar nenhum, só pra confundi-los! Ou seja, vários espermatozóides desorientados acabam ficando presos nesses canaizinhos e apenas uma minoria chega ao útero propriamente dito.

O útero, por sua vez, é tipo um campo de batalha da Idade Média, estilo Coração Valente. Lá estão os sofridos espermatozóides, quilômetros de chão para percorrer até chegar às Trompas de Falópio (sem bússola nem guia de turismo), quando são atacados pelos anticorpos femininos! Vocês acreditam?! O corpo da mulher interpreta os espermatozóides não como aliados da reprodução (algo pelo qual nossos corpos anseiam mensalmente) mas como inimigos infecciosos! Sem contar quando um espermatozóide megacompetitivo resolve aniquilar um semelhante!

A essa altura a gente pensa: mulher é difícil mesmo quando se faz de fácil!

Desnecessário dizer que, com todos esses percalços, são poucos os espermatozóides que chegam até uma das Trompas. E mesmo 50% deles vai se dar mal no final, porque apenas uma das duas Trompas libera o óvulo fértil!

Em compensação, a metade de espermatozóides que acerta é premiada com um bálsamo de substâncias revigorantes, que os alimenta e os prepara para a reta final, que é a de quem entra primeiro no óvulo. Tipo um final de semana num spa antes de jogar a final da Copa do Mundo.

A moral dessa história toda, é claro, é darwiniana: seleção natural em nível microscópico. Se dá bem o espermatozóide mais saudável e sortudo. O organismo da mulher age no sentido de apertar os obstáculos. Afinal, ela vai ter que aturar nove meses de loucura hormonal para premiar esse espermatozóide com a geração de um novo ser.

Ele tem que valer a pena!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Perigo: Slings para Bebês

Sempre achei simpático o sling - tipo de mochilinha que amarra o bebê junto ao tronco dos pais, alternativa ao carrinho. Tem um ar alternativo, que "empresta" dos povos primitivos - sem dizer dos macacos! - a sabedoria que deve existir em manter o neném sempre quentinho, perto da gente.


Então semana passada fiquei bem surpresa quando soube que o governo americano está alertado para os riscos do sling. Este artigo diz que a peça tem provocado a morte de alguns bebês por sufocamento.

Papais e mamães de plantão: informem-se e tomem cuidado!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Especial: Léboyer

Eis que finalmente trascrevo o trecho do livro do Léboyer, que despertou algumas das sensações maternais mais intensas que pude sentir desde a concepção da minha bebéia.

Faço esta transcrição com a cabeça no sobrinho de uma grande amiga, que nasceu ontem em NY!

No ventre da mãe, a vida era uma riqueza infinita.
Sem falar nos sons e nos ruídos, para a criança todas as coisas estavam em constante movimento.
Se a mãe se erguer e andar,
se ela se virar ou inclinar-se
ou erguer-se na ponta dos pés.
Se ela debulhar legumes ou usar uma vassoura,
quantas ondas,
quantas sensações para a criança.
E se a mãe for descansar,
pegar um livro e sentar-se,
ou se deitar e adormecer,
sua respiração será sempre a mesma
e o marulho calmo - a ressaca - continua a embalar o bebê.

Depois,
passada a tempestade do nascimento,
eis a criança sozinha no berço,
ou melhor dizendo, numa dessas caminhas que são como gaiolas de recém-nascidos.
Nada se mexe!
Deserto.
E o silêncio
Repentinamente, o mundo ao redor congelou-se,
coagulou-se,
numa imobilidade completa e terrível.
E,
enquanto lá fora faz-se completo vazio,
eis que aqui dentro
alguma porção no ventre agarra
torce
morde...
"Mamãe! Mamãe!"
Ah, que pavor!

No ventre?
Não,
ali na escuridão!
Sim, no escuro
há um animal.
Sim, sim, um tigre, um leão...
"Eu o escuto! Eu o percebo!
Mamãe! Mamãe!"

Um animal? Na escuridão?
Prestes a saltar sobre a criança para devorá-la?
Um lobo, talvez?
Um lobo transformado em avó
e que espreita Chapeuzinho Vermelho
preparando-se para devorá-lo?

Um lobo?
Onde?
Na cama? Embaixo da cama?
Atrás do biombo?

Não!
Está bem ali no ventre.
E se chama
fome.

A fome é um monstro?
A fome é a sensação agradável. Não é verdade? Porque, de fato, com muita satisfação, a vemos repetir-se várias vezes por dia.
Para nós,
uma agradável satisfação.
Porque nós sabemos muito bem que iremos comer.

E para a criança?
O pobre bebê pode movimentar-se?
Deslocar-se até a despensa?
Como se estivesse no restaurante, pode ele gritar:
"Garçom! Garçom!"?
Ele não se cansa de chamar. E, realmente, com toda a força.
Ele berra
para mostrar que lá dentro...

E... não acontece nada!
É preciso esperar.
E sofrer.
E se inquietar... com o desassossego.
Até que, finalmente, do deserto interior em que o mundo se fez,
vem alguma coisa
que por fim aquieta
o monstro desperto lá dentro.

Fora, dentro...
Eis o mundo dividido em dois.
Dentro, a fome.
Fora, o leite.
Nasceu
o espaço.

Dentro, a fome
fora, o leite.
E, entre os dois,
a ausência,
a espera,
sofrimento indizível.
E que se chama
tempo.

E é assim
que, tão-somente
do apetite,
nasceram
o espaço
e a existência.

Obrigado querido amigo!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Dos Pais pro Filho

Achei um artigo bem simpático sobre 23 coisas que os pais devem passar para seus filhos. Minhas preferidas:

- um time de futebol para torcer, e outro para detestar (ou escola de samba, banda de rock, etc)
- histórias engraçadas de pisadas na bola que você deu (para quebrar um pouco a imagem de super-herói que os filhos têm sobre os pais)
- conseguir rir das coisas irritantes que as pessoas fazem, ao invés de reclamar (essa eu preciso aprender também!)
- um testamento justo ("o dinheiro é melhor gasto em vida")

Bonitinho!

terça-feira, 9 de março de 2010

Cheiros

Já mencionei aqui que os odores ficam muito mais fortes na gravidez, né?

Pois é: semana passada cheguei ao ápice: meu irmão entrou na sala com um copo de café e eu senti o cheiro do açúcar que ele tinha posto.

Na hora eu nem tinha certeza se ele tomava café com açúcar, então perguntei pra me certificar. Não deu outra!

Eu Sei, Eu Sei

Tô devendo trecho do livro da Shantala. Sai esta semana sem falta!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Algumas Impressões de Outro Pai

Um dos melhores contatos que tenho feito desde que a odisséia da barriga começou é com um amigo de alguns anos que se tornou papai há um. A história dele é muito particular porque ele é um desses caras lindos e bem jovens (mais que eu) que, ao contrário da maioria dos rapazes, procurava abertamente uma parceira para ter uma família. Infelizmente eu estava numa outra freqüência quando seus desejos se realizaram e não acompanhei de perto, mas pelo menos agora estou tendo a chance de ouvir suas histórias em retrospecto.

A relação dele com sua filhinha, uma boneca que conheci apenas no final de semana passado, é uma das mais profundas que já vi acontecer com um homem. Como se não bastasse, ele também tem sido um super-herói com a mulher, que atravessou momentos bem difíceis desde o começo da gravidez.

Num dos longos e-mails que trocamos, ele disse algo que eu acho que está por trás de todos os receios que giram em torno da vinda de um bebê ao mundo:

Disse o meu pai: o nascimento de um filho marca a perda do referencial auto-centrico. Não podia descrever melhor o que eu senti. Ao mesmo tempo que encontrava um sentido para a vida, perdia totalmente a importância a minha vida.

Mas ele disse isso de uma forma muito positiva, de doação, que aos poucos eu também estou começando a sentir. Acho que esse é um dos grandes X da questão.

No domingo meu amigo passou com sua princesa de surpresa para me emprestar um livro sobre Shantala, escrito pelo Léboyer. Eu achei aquilo o gesto mais lindo do mundo, mas ainda assim não estava preparada para o maremoto emocional que estava por vir ao ler o primeiro capítulo. É o que de mais intenso li sobre a maternidade desde que engravidei: no fim do capítulo, às lágrimas, fui abraçar o amado, de tão sensibilizada.

E também de tão sensibilizada, vou tirar meia-horinha deste final de semana para transcrever um trecho aqui para vocês. Aguardem!

terça-feira, 2 de março de 2010

10 Semanas: Um Balanço

Então chegamos à décima semana - um quarto de gravidez, em teoria.

Até agora engordei apenas um quilo, o que me deixa feliz. Ainda não perdi nenhum sutiã. Uma ou outra roupa, no entanto, já começa a ficar mais justa nos quadris.

Se o exame de sexagem fetal estver mesmo correto, temos uma menininha a caminho. Ela tem 2,8 centímetros e nada em quase meio litro de líquido amniótico.

Os enjôos e a azia fizeram o inferno do meu carnaval, mas já melhoraram bastante. Eu também não poderia estar mais feliz com a queda de temperatura - aquele calor tava acabando com o meu humor (que também anda oscilando um pouco menos).

Semana que vem rola a segunda consulta pré-natal e o exame de translucência nucal, que indica possíveis problemas de cromossomos. Mas há de estar tudo normal!

Você Saliva Como Eu Salivo?

Eu não agüento mais sentir o sabor da minha própria boca!

Parem de produzir saliva, glândulas pentelhas!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Foi o exame de sangue indicar o sexo feminino para o amado começar a mostrar os dentes - ou o ferrão, já que é escorpiano. E ciumentíssimo! A seguir...

Cada Um Com os Seus Próprios Mitos

As pessoas são engraçadas. Nossa filha nem bem nasceu e já há uma fila de pseudo-pretendentes na minha porta. Na verdade, a situação está pior do que fila do INAMPS, quando os pacientes têm que chegar às quatro da manhã para pegar senha e serem atendidos.

Tem gente que até estufa o peito e dá a entender que o filho tem direito a preferência, que vai ser ótimo que ele e a minha filha... vocês sabem. Quanto à piadinha grosseira dizendo que eu sou "fornecedor", essa sequer resvala na orla do meu manto.

Há, Há e HÁ! Pobres inocentes, então vocês realmente acham que minha filha se submeterá a qualquer um? Acham que o mero desejar lhes dá passe livre para fazer parte da sua intimidade? Deixe-me rir, sendo filha de um pai escorpiano obstinado e neta de mafioso! Acho melhor vocês considerarem um plano B, a não ser que o masoquismo esteja na ordem do dia.

A fila, meus caros, pode dar a volta no quarteirão que o seu destino inexorável será o labirinto da cena final de “O Iluminado”, e nesse filme eu faço questão de ser o Jack Nicholson. Minha filha, eu prometo, você será absolutamente independente, mas saberá escolher as suas companhias. Alguns podem se contentar com pouco, não você.

Assim, agradeço de todo coração as intenções dos pais de pequenos possíveis pretendentes, mas não, minha filha não será a prometida de ninguém. Serão os seus admiradores que terão que se esforçar, e muito, “to get what it takes” para merecer a minha filhota, e será ela a senhora, com S maiúsculo, do seu destino.

Entretanto, enquanto isso não acontece, não se enganem: essa bebê é do papai... só do papai.