Desde que eu engravidei, alguns programas de TV ficaram mais interessantes. Por exemplo: eu adoro assistir "Nascimentos" e "História de um Bebê", do Discovery Home & Health. São documentários de meia hora protagonizados por algum casal em trabalho de parto, culminando com a chegada do bebê ao mundo.
Em estado não gravídico, todos concordam que as histórias são meio parecidonas e freqüentemente apresentam detalhes péssimos (uma gestante que engordou tanto que ficou parecendo uma foca, disfunções placentárias que colocam o bebê em risco, etc). Mas nada é mais assustador do que o programa sobre a primeira semana do bebê em casa. Hahaha!
A medalha de ouro da televisão reprodutiva, no entanto, vai para a série "Vida no Ventre" (NatGeo) e o novíssimo especial "A Grande Corrida da Vida", do Discovery Channel. Esse aí é tudo de bom.
"A Grande Corrida da Vida" é um "Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo..." com dados científicos substituindo as piadas do Woody Allen: tem centenas de atores fantasiados de espermatozóides percorrendo cenários que equivaleriam, em dificuldade e dimensões, aos ambientes enfrentados por eles para chegar até o óvulo. Tais cenas são combinadas com imagens de cientistas explicando o perrengue que os gametas masculinos passam na tentativa de se tornar zigoto.
Pra começo de conversa, os espermatozóides que estão na dianteira ficam espremidos dentro do canal seminal do homem esperando uma ejaculação que os libertem. É uma situação tão claustrofóbica que nós, mulheres, até achamos que existe algum sentido quando um ou outro homem diz que vai passar mal se não transar com alguém. Na verdade, é a pressão que os espermatozóides estão fazendo pra sair daqueles canais apertados! Mentira, não acredito que homens precisam mais de sexo que as mulheres nem nada, mas que dá agonia ver tanto espermatozóide comprimido, esperando sair, isso dá.
Daí o homem transa e eles finalmente são liberados. Fim dos problemas, certo? Errado, é o começo deles! Os espermatozóides precisam sair da vagina e entrar no útero através do buraquinho que fica no colo, que não só é meio difícil de alcançar como todas as paredes são cheias de canaizinhos que dão em lugar nenhum, só pra confundi-los! Ou seja, vários espermatozóides desorientados acabam ficando presos nesses canaizinhos e apenas uma minoria chega ao útero propriamente dito.
O útero, por sua vez, é tipo um campo de batalha da Idade Média, estilo Coração Valente. Lá estão os sofridos espermatozóides, quilômetros de chão para percorrer até chegar às Trompas de Falópio (sem bússola nem guia de turismo), quando são atacados pelos anticorpos femininos! Vocês acreditam?! O corpo da mulher interpreta os espermatozóides não como aliados da reprodução (algo pelo qual nossos corpos anseiam mensalmente) mas como inimigos infecciosos! Sem contar quando um espermatozóide megacompetitivo resolve aniquilar um semelhante!
A essa altura a gente pensa: mulher é difícil mesmo quando se faz de fácil!
Desnecessário dizer que, com todos esses percalços, são poucos os espermatozóides que chegam até uma das Trompas. E mesmo 50% deles vai se dar mal no final, porque apenas uma das duas Trompas libera o óvulo fértil!
Em compensação, a metade de espermatozóides que acerta é premiada com um bálsamo de substâncias revigorantes, que os alimenta e os prepara para a reta final, que é a de quem entra primeiro no óvulo. Tipo um final de semana num spa antes de jogar a final da Copa do Mundo.
A moral dessa história toda, é claro, é darwiniana: seleção natural em nível microscópico. Se dá bem o espermatozóide mais saudável e sortudo. O organismo da mulher age no sentido de apertar os obstáculos. Afinal, ela vai ter que aturar nove meses de loucura hormonal para premiar esse espermatozóide com a geração de um novo ser.
Ele tem que valer a pena!
Em estado não gravídico, todos concordam que as histórias são meio parecidonas e freqüentemente apresentam detalhes péssimos (uma gestante que engordou tanto que ficou parecendo uma foca, disfunções placentárias que colocam o bebê em risco, etc). Mas nada é mais assustador do que o programa sobre a primeira semana do bebê em casa. Hahaha!
A medalha de ouro da televisão reprodutiva, no entanto, vai para a série "Vida no Ventre" (NatGeo) e o novíssimo especial "A Grande Corrida da Vida", do Discovery Channel. Esse aí é tudo de bom.
"A Grande Corrida da Vida" é um "Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo..." com dados científicos substituindo as piadas do Woody Allen: tem centenas de atores fantasiados de espermatozóides percorrendo cenários que equivaleriam, em dificuldade e dimensões, aos ambientes enfrentados por eles para chegar até o óvulo. Tais cenas são combinadas com imagens de cientistas explicando o perrengue que os gametas masculinos passam na tentativa de se tornar zigoto.
Pra começo de conversa, os espermatozóides que estão na dianteira ficam espremidos dentro do canal seminal do homem esperando uma ejaculação que os libertem. É uma situação tão claustrofóbica que nós, mulheres, até achamos que existe algum sentido quando um ou outro homem diz que vai passar mal se não transar com alguém. Na verdade, é a pressão que os espermatozóides estão fazendo pra sair daqueles canais apertados! Mentira, não acredito que homens precisam mais de sexo que as mulheres nem nada, mas que dá agonia ver tanto espermatozóide comprimido, esperando sair, isso dá.
Daí o homem transa e eles finalmente são liberados. Fim dos problemas, certo? Errado, é o começo deles! Os espermatozóides precisam sair da vagina e entrar no útero através do buraquinho que fica no colo, que não só é meio difícil de alcançar como todas as paredes são cheias de canaizinhos que dão em lugar nenhum, só pra confundi-los! Ou seja, vários espermatozóides desorientados acabam ficando presos nesses canaizinhos e apenas uma minoria chega ao útero propriamente dito.
O útero, por sua vez, é tipo um campo de batalha da Idade Média, estilo Coração Valente. Lá estão os sofridos espermatozóides, quilômetros de chão para percorrer até chegar às Trompas de Falópio (sem bússola nem guia de turismo), quando são atacados pelos anticorpos femininos! Vocês acreditam?! O corpo da mulher interpreta os espermatozóides não como aliados da reprodução (algo pelo qual nossos corpos anseiam mensalmente) mas como inimigos infecciosos! Sem contar quando um espermatozóide megacompetitivo resolve aniquilar um semelhante!
A essa altura a gente pensa: mulher é difícil mesmo quando se faz de fácil!
Desnecessário dizer que, com todos esses percalços, são poucos os espermatozóides que chegam até uma das Trompas. E mesmo 50% deles vai se dar mal no final, porque apenas uma das duas Trompas libera o óvulo fértil!
Em compensação, a metade de espermatozóides que acerta é premiada com um bálsamo de substâncias revigorantes, que os alimenta e os prepara para a reta final, que é a de quem entra primeiro no óvulo. Tipo um final de semana num spa antes de jogar a final da Copa do Mundo.
A moral dessa história toda, é claro, é darwiniana: seleção natural em nível microscópico. Se dá bem o espermatozóide mais saudável e sortudo. O organismo da mulher age no sentido de apertar os obstáculos. Afinal, ela vai ter que aturar nove meses de loucura hormonal para premiar esse espermatozóide com a geração de um novo ser.
Ele tem que valer a pena!