sexta-feira, 5 de março de 2010

Algumas Impressões de Outro Pai

Um dos melhores contatos que tenho feito desde que a odisséia da barriga começou é com um amigo de alguns anos que se tornou papai há um. A história dele é muito particular porque ele é um desses caras lindos e bem jovens (mais que eu) que, ao contrário da maioria dos rapazes, procurava abertamente uma parceira para ter uma família. Infelizmente eu estava numa outra freqüência quando seus desejos se realizaram e não acompanhei de perto, mas pelo menos agora estou tendo a chance de ouvir suas histórias em retrospecto.

A relação dele com sua filhinha, uma boneca que conheci apenas no final de semana passado, é uma das mais profundas que já vi acontecer com um homem. Como se não bastasse, ele também tem sido um super-herói com a mulher, que atravessou momentos bem difíceis desde o começo da gravidez.

Num dos longos e-mails que trocamos, ele disse algo que eu acho que está por trás de todos os receios que giram em torno da vinda de um bebê ao mundo:

Disse o meu pai: o nascimento de um filho marca a perda do referencial auto-centrico. Não podia descrever melhor o que eu senti. Ao mesmo tempo que encontrava um sentido para a vida, perdia totalmente a importância a minha vida.

Mas ele disse isso de uma forma muito positiva, de doação, que aos poucos eu também estou começando a sentir. Acho que esse é um dos grandes X da questão.

No domingo meu amigo passou com sua princesa de surpresa para me emprestar um livro sobre Shantala, escrito pelo Léboyer. Eu achei aquilo o gesto mais lindo do mundo, mas ainda assim não estava preparada para o maremoto emocional que estava por vir ao ler o primeiro capítulo. É o que de mais intenso li sobre a maternidade desde que engravidei: no fim do capítulo, às lágrimas, fui abraçar o amado, de tão sensibilizada.

E também de tão sensibilizada, vou tirar meia-horinha deste final de semana para transcrever um trecho aqui para vocês. Aguardem!