sexta-feira, 26 de março de 2010

Hidroginástica: a Gangue das Velhinhas

Já comentei aqui que entrei na hidroginástica. Estou adorando, nunca perdi uma aula. Curto muito me exercitar, há alguns anos eu era a monstra do spinning das 6:30 da manhã, mas minha rotina mudou e desde então ficou difícil me adaptar à academia lotada nos finais de tarde. Só que agora existe uma gravidez pela frente e uma demanda real por um bom condicionamento físico.

Exercício na água é tudo de bom na vida - ainda mais com esse calorão. É superindicado para gestantes porque trabalha a capacidade aeróbica e a musculatura com risco mínimo de pancadas e zero de quedas. Fora que, com o passar do tempo, a água alivia o peso do barrigão.

Por quase todos esses mesmos motivos é que hidroginástica também é a atividade preferida de pessoas idosas - por alguma razão, mais das velhinhas do que dos velhinhos. Na minha turma, por exemplo, só tem mulher: umas quinze coroas acima de 70 anos, três senhoras entre 40 e 70 e duas moças com menos de 40, que sou eu e outra menina não-grávida.

Ou seja: a piscina é território das velhinhas. Elas dominam incondicionalmente.

Logo no meu primeiro dia a líder delas, de óculos Jackie O. e batom vermelho, já dentro da piscina com duas comparsas, me abordou antes de eu entrar, perguntou meu nome e me deu boas-vindas. Tipo, mega simpática, mas ao mesmo tempo com aquele quê de representante de turma, de chefe da cambada! Elas sabem que comandam geral, mas gostam de ser graciosas com quem não faz parte da gangue delas (são especialmente fofas quando descobrem que estou grávida).

As velhinhas se agrupam em rodinhas de três ou quatro e passam a aula inteira fofocando. Elas só param de falar quando a professora, do lado de fora da piscina, mostra o exercício novo - e então retomam o assunto. É impressionante como elas conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo! É claro que o vigor dos exercícios sofre com a falta de foco, mas acho que, para elas, a boa-forma tem a mesma importância que a social. No final das contas, é muito alto-astral ver esse monte de mulher, no entardecer de uma vida onde ser mulher era bem menos divertido do que hoje, se mexendo, rindo e tagarelando como se não houvesse amanhã.

Elas todas se parecem muito. De toca, então, são quase indistingüíveis. Comecei a notar melhor seus rostos esta semana, quando fiquei uns dez minutos na hidromassagem depois da aula, na companhia delas. Mas elas também me confundem direto com a outra moça da minha idade. Hahahaha!

No momento o grande frisson é a compra de um ovo de páscoa gigante que elas estão organizando, em segredo, com o resto da turma. Elas sentem um enorme prazer em driblar a professora para arrecadar os R$5 de cada aluna e anotar no caderninho de páginas enrugadas e tinta manchada por causa da água da piscina.

Pretendo muito continuar na hidro depois que a bebéia nascer. As velhinhas são sensacionais, garantia de diversão aula após aula!