segunda-feira, 31 de maio de 2010

Só os Cangurus São Felizes!

Eu vivo dizendo que essas sondagens do bebê - ultrassons, descoberta do sexo, os próprios chutinhos - são superimportantes para conhecê-lo antes mesmo do nascimento. Pois é. A fotinho em 3D da bebéia teve um impacto tão grande em mim que aflorou um desejo muito forte de tê-la logo nos meus braços! Ai, que vontade...!

Ao mesmo tempo sei que, quando nascer, vou sentir muita falta dela se mexendo dentro da minha barriga... vai ser bem estranho não ter mais minha filha crescendo dentro de mim.

Talvez maternidade seja um pouco esse desejo de ser marsupial, como os cangurus: o bebê nasce e mama, mas por algum tempo ainda volta pra bolsa que existe na barriga da mãe para continuar se desenvolvendo...

domingo, 30 de maio de 2010

23 semanas: foto 3D

Não páro de olhar. Nem de babar.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ecologia: a Nova Anti-Feminista?

A feminista francesa Elizabeth Badinter acaba de lançar um livro que acusa o movimento ecológico de oprimir o feminismo, a medida em que impõe a amamentação, o regresso às fraldas de pano e outros hábitos de criação dos filhos que, no passado, prendiam as mulheres em casa, impedindo sua emancipação.

Embora eu sinta atração natural por assuntos polêmicos - chacoalhar opiniões formadas costuma me fazer bem -, considero muito perigoso tomar partido incondicional de militâncias em geral, ecologia e feminismo incluídos. Mas agora que estou grávida, admito que o que Elizabeth coloca faz algum sentido para mim. É evidente que não se trata de um grupo de misóginos do Partido Verde numa conferência secreta conspirando conscientemente para tirar o mulherio da jogada. Mas a equação correção ecológica versus mãe que trabalha me parece longe de um resultado equilibrado (pelo menos enquanto as usinas de reciclagem de fraldas descartáveis não for uma ampla realidade).

Eu, uma ex-semi-paranóica com relação a detonação ambiental e aquecimento global, admito com dó: só daria para ser ecologicamente correta durante a licensa-maternidade, quando haveria algum tempo para se engajar nas premissas da maternidade verde, que inclui fraldas de pano, aleitamento exclusivamente no seio e tudo mais. Depois disso, as praticidades que permitem à mãe trabalhar fora transformariam os bebês em pequenos desastres ecológicos. É a realidade.

Eu super respeito eco-chatos. Se tivéssemos parado de ridicularizá-los e começado a levá-los a sério há décadas atrás, talvez minha filha que ainda nem nasceu não correria o risco de enfrentar escassez de água ou verões de 50 graus. Só que infelizmente o papel da mãe que fica em casa - uma das atividades mais exaustivas e fundamentais do mundo - tem valor zero, e foi-se o tempo em que qualquer pai de família era capaz de sustentar o clã sem a ajuda do salário da mulher. E sem alimentos industrializados, fraldas descartáveis e creche/ babá, não há mulher que consiga voltar pra trabalhar.

Elizabeth Badinter vai além: para ela, a natureza virou o novo Deus. De fato: eu, que no momento me esforço para me acostumar com a probabilidade de dar à luz via parto normal (sim, sou uma mulher do século XXI totalmente avessa a dor e ao sacrifício!), fico de cara com o hit que parir em casa se tornou. Muita gente me aborda já presumindo que o parto será natural, e poucos conseguem esconder a pequena surpresa que se faz quando admito que não encaro horas de contrações horrorosas e a expulsão do bebê com romantismo. Normalmente concluo o papo com "Se for natural, o marido está proibido de sair do lado do meu ombro, e não vou querer que ninguém filme ou fotografe". Para minha sorte, estamos no Brasil, onde minha obstetra já entendeu que vou querer todas as anestesias a que tenho direito, porque Badinter informa: "Em nome desta ideologia naturalista, nos países escandinavos quase não há mais anestesia peridural nos partos, ela até mesmo é fortemente desaconselhada."

Se a gente for radicalizar, entraremos no mérito da superpopulação, que já é catastrófica em si. E aí, o que a gente faz para salvar o planeta? Extinção humana voluntária? Tenho certeza de que o processo seria muito, muito triste: viver num mundo sem a possibilidade de redescobri-lo através dos olhos de um filho, sem ter uma criança para depositar a esperança de que as coisas mudem, me traria a certeza de que de fato não faria sentido continuar existindo.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Quando Ela Mexe

Quando ela mexe - ela mexe tanto comigo!

Quando não mexe, nem sempre ela sempre mexe, me dá um medinho, me dá um vazio, parece que sem ela mexer eu meio que não existo...!

Presentinho Politicamente Incorreto


Um dos mais queridos titios da bebéia acaba de trazer de viagem uma mamadeira de vodka para ela, hahahahaha! É só botar água - ou suquinho, para sugerir uma caipiroska - e a piada está pronta!

O marido morreu de rir e perguntou se na loja tinha mamadeiras de outras bebidas (ele é fã de gin). Mas depois não conseguiu disfarçar o desconforto, e ficou intrigado sobre se artigos para crianças com referências etílicas não poderiam acabar sendo proibidos.

Bem, o humor venceu, e mal podemos esperar para tirar fotinhos de nossa filhotinha inocente com sua mamadeira capciosa!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

De-va-gar.

Comecei a ler "O Segredo de uma Encantadora de Bebês" - livro da enfermeira Tracy Hoggs. Tracy é perita em interpretar os diferentes choros do bebê e nos ensina a ver o mundo através do olhos dos pequenos - o que ajuda muito a diminuir o nível de ansiedade dos pais, aumentando suas chances de tranqüilizar os filhos. Ela também insiste na importância de estabelecer uma rotina para os bebês: criança gosta de previsibilidade.

Dou a maior atenção às dicas de Tracy. O que eu mais quero é que minha bebéia seja o mais tranqüila possível e que o ambiente doméstico seja poupado do caos. Na verdade, tranqüilidade é um padrão que desejo estabelecer para toda a vida da minha filha. Essa idéia se encaixa num movimento mais genérico chamado Slow, cujo objetivo é adotar um estilo de vida mais desascelerado e verdadeiro. Então tem o slow food, que é se alimentar melhor, sem comida junk; e as slow cities, que são cidades projetadas para evitar engarrafamentos, muito barulho e favelização. Na área da criação de filhos, o movimento Slow acaba de ganhar o livro "Sob Pressão".

Não li o "Sob Pressão", mas curti muito a entrevista feita com Carl Honoré, o autor. Slow na criação dos filhos não tem nada a ver com permissividade ou falta de disciplina, pelo contrário: a infância é uma fase onde deve haver aprendizado e superação, mas isso não significa que deve ser uma competição, uma corrida. Criar filhos não é desenvolver um produto. Carl Honoré adverte sobre o perigo de nos tornarmos pais que neurotizam os filhos com a obrigação de passar no vestibulinho daquela escola concorridíssima (vestibulinho, meu deus?!), de entupir a criança de atividades esportivas e cursos de idiomas e computação e artes... crianças devem se parecer mais com exploradores e aprendizes do que com míni-executivos.

É lógico que adultos "apressadinhos" estão fazendo o que julgam ser melhor para os filhos, mas acho que as crianças acabam pagando o pato. Pode ser que os próprios pais se sintam pressionados pela sociedade a fabricar crianças-modelo, mas pode ser também que estejam tentando realizar desejos não alcançados por eles próprios através dos filhos. O resultado é que as crianças ficam exaustas, e acabam acreditando que só serão amadas se conseguirem dar conta de tudo. Vira e mexe rola um reality na tevê mostrando famílias assim. Sinto sempre muita pena dos pequenos...

"Estamos vivendo numa cultura que nos diz que a infância é preciosa demais para ser deixada para as crianças e que crianças são preciosas demais para serem deixadas em paz" - Carl Honoré


É compreensível que queiramos proporcionar aos filhos aquilo que não tivemos (eu mesma já assumi aqui que gostaria de ter aprendido música ainda na infância, e que pretendo dar essa chance à minha filha); o problema começa quando os pais, mesmo inconscientemente, sonham que a criança se transforme no próximo Bill Gates, Picasso ou Michael Phelps, ou matricule o pobrezinho em mais três atividades extra-curriculares. Aí não dá.

Crianças dispõem de uma infância e uma adolescência inteiras para iniciar, no melhor tempo, quaisquer que sejam as atividades que possam lhes ser significativas durante a vida. Será mesmo necessário espremê-la em calendários tão cheios de coisas para fazer e exigir que elas sejam tão brilhantes em cada uma delas? Será que tanta expectativa não acaba destruindo a auto-estima do filho? Acredito que uma boa criação tem mais a ver com apresentar diferentes atividades e respeitar as preferências e o desempenho que a criança é capaz de oferecer.

A Alanis Morrissete tem uma música super tocante sobre esse assunto. Se chama "Perfect", e é como se os pais estivessem cantando para o filho. O fim da letra sugere como a criança muitas vezes lida com esse excesso de expectativas que uma agenda muito cheia traz:

Nós vamos te amar
Do jeito que você é
Se você for perfeito

Duro, né?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Não É Lenda:

As grávidas viram mesmo sapatão.

As duas últimas sapatilhas que comprei tiveram que ser número 38!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mães: As Toda-Poderosas

Culpa é um negócio que acontece mais com as mulheres do que com os homens, e talvez mais com as mães do que com mulheres sem filhos. Inflingir culpa é uma forma de controlar o outro, mesmo sem querer. Talvez por causa da imensa responsabilidade inerente à maternidade, as pessoas se sentem no direito de dar conselhos e emitir opiniões diversas às mães, fazendo muitas delas acreditarem que não estão desempenhando direito o papel e se sentirem muito mal por isso.

Embora seja tão simples de compreender, este desabafo, escrito por uma moça em muitos aspectos parecida comigo - faixa etária, classe social, estilo - me deixou um pouco chocada. Ela diz que o verdadeiro castigo de Deus para as mulheres não é a dor do parto, mas a culpa - exatamente porque, diante de tantos conselhos de terceiros, ela tem se sentido tão confusa como futura mãe. Não sei se é a primeira gravidez dela, mas afirmar que a culpa pode ser maior do que a dor de um parto é, assim, extremo para mim. Embora sua felicidade com a gravidez seja clara em seus outros textos, também ficou claro que parte dessa moça está muito vulnerável às expectativas alheias sobre sua própria maternidade.

Meu choque também se deve ao fato de que minha relação com esse meu novo papel de mãe está sendo caracterizada por sentimentos bem diferentes da culpa. É possível que eu sinta mais tarde, quando, ao começar a fazer suas próprias escolhas, minha filha tome decisões erradas! Daí não tem jeito, vou acabar questionando todas essas subjetividades parentais que influenciam a vida dos filhos. Mas por enquanto? Não, não mesmo. Apesar de toda vigia que naturalmente recai sobre a minha barriga, de todos os conselhos e dicas de alimentação ou exigência de boa forma e saúde, de profecias sobre o inferno que se fará quando o bebê nascer e as noites de sono morrerem, além do perigo que poderá se abater sobre meu casamento,- apesar de tudo isso, e mais do que nunca, a opinião dos outros decresceu muito em importância para mim.

Digo isso sob pena de ser mal interpretada, mas é verdade. É como se instintivamente eu soubesse que a opinião dos outros pode me tirar do meu centro - e o meu centro é fundamental agora. Eu jamais imaginei, mas minha auto-confiança cresce na mesma medida em que cresce minha barriga. No topo das sensações mais definitivas que vieram com a gravidez está uma enorme sensação de força e estabilidade, a despeito de todas as dúvidas e rompantes de emoção e inexperiência que há meses me acompanham.

Acho que a palavra "poder", despida de qualquer conotação perniciosa, define bem o que quero dizer. Ao contrário do sempre triste discurso cristão que essa futura mamãe evocou, acredito que Eva é, na verdade, a Toda-Poderosa, e não a pecadora condenada à dor e ao sofrimento. A mulher, e não Deus, é o ser capaz de dar a vida - como não creio em Deus, isto é duplamente verdadeiro para mim. E tão grande quanto o poder da mulher é o poder do próprio embrião-feto-bebê: cada vez que faço um ultrassom, fico estarrecida com a vontade de triunfo, a potência da minha bebéia ainda tão mínima, mas tão resoluta na tarefa de crescer e sair pro mundo!

Este é o mistério da dor do parto: a vida chega com tanta potência que ela sai rasgando tudo!

A Vida Só Existe Porque Sai Uma Boneca de Dentro da Outra!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Música

Lamento que meu pai não tenha realmente se empenhado em me ensinar a tocar violão quando, aos 10 anos, eu pedi. Ele me comprou um método, me deu um violão que já não usava e esperou que eu aprendesse sozinha - afinal, ele tinha aprendido sem ajuda. Tentei um "Cai cai balão", mas sem um tutor o trabalho era bem desestimulante. Abandonei logo para apenas aos 26 anos, sozinha, resolver aprender a tocar sitar. Dessa vez deu certo - embora eu admita que já fosse velha demais para conseguir colocar a música numa posição mais central na minha vida.

Sim, o timing é fundamental: quanto mais jovem, melhor. Quanto mais jovem, mais fácil fica aprender - e, no caso, mais fácil acomodar uma possível atividade, quem sabe carreira, musical no próprio destino. Aos 26 anos eu já morava sozinha, já era formada, trabalhava... por mais que adorasse e me dedicasse, tocar sitar era bem periférico.

O partido conservador francês, quem diria, está tentando emplacar uma excelente idéia nesse sentido: tornar obrigatório o aprendizado musical nas escolas. Todo petizinho local teria que dominar um instrumento, ou aprender a cantar.

Apesar de estar consistentemente mais ligada às artes visuais do que musicais, acho que música é uma arte superior às outras: ela alcança profundidades que as demais não sondam, expressam sentimentos e informações de outra forma intangíveis.

Pretendo oferecer à minha pequenina uma oportunidade de explorar esse universo ainda na infância. Se ela vai tomar gosto pela coisa, é outra história. Mas pelo menos, se ela curtir, terá chances de colocar a música num lugar de destaque em sua vida.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

New Björk Doll*


Imagina se a bebéia ia ficar sem a boneca da Björk, minha ídala absoluta, vestida com o incrível modelito de cisne que chocou o mundo no Oscar de 2001! I-ma-gi-na!

Porque eu não posso! Hahahahaha!

Mas sério, a boneca vai ficar no quartinho dela. E vou explicar direitinho o quão musa é Björk assim que ela for capaz de assistir a seus videoclips sem se assustar, hahahahaha!

Muito antes disto, a bebéia vai escutar Björk comigo - baixinho, quando eu estiver amamentando. Tipo "Vespertine" ou "Medúlla", que são os álbuns mais profundos. Na verdade, ela já anda escutando: ontem eu e o amado ouvimos "Volta".

"Vespertine" tem timbres bem semelhantes a caixinha de música, e caixinha de música é sempre children-friendly! Por isso, junto com a new Björk doll, arrematei um CD dos Beatles todo em versão para bebês! Tem "Yellow Submarine", "Lucy in the Sky with Diamonds", "Yesterday", "Ob La Di, Ob La Da" e várias outras! Não é tudo?!

Pra completar, comprei um babador vermelho escrito "John, Paul, George & Ringo", pra ela não ter dúvida de que nasceu numa família roquenrôw!

O papai dela, por sua vez, sempre curtiu punk e tá tentando arranjar tempo para comprar um macaquinho preto estampado com caveirinhas e tutu de tule rosa-choque!

Tudo isso é obra da Q-Vizu, loja "antenadinha", super pop, que tem uma linha incrível de coisas para bebês. E foi-se o tempo em que eu só gastava dinheiro comigo...!


* O título do post é um trocadilho com o New York Dolls, banda que o papai da babéia ama!

domingo, 16 de maio de 2010

Todo Domingo é um Marco

Todo domingo é um marco na vida da minha bebéia, logo todo domingo é um marco na minha. É quando ela completa semanas, essa unidade de tempo de vida sob o qual sua existência é celebrada e compreendida. Hoje ela completa 21 semanas, o que significa que já tem cabelo nascendo e sua medula começa a produzir leucócitos.

Desde que engravidei, minha vida é regida pelos domingos. É quando recebo e-mails dos sites de gravidez aos quais me cadastrei. Os e-mails explicam superbem o que vai se passar com a bebéia e com o meu corpo nos próximos sete dias.

Sem dúvida alguma, a gestação está provando de que o tempo não é absoluto e sim relativo: como está passando depressa! Todos sabemos como as horas voam quando estamos felizes... jamais um ano passou tão rápido pra mim! Isso é bom, porque mal posso esperar para ver minha filhota, mas ao mesmo tempo dá pena, porque é tão bom estar grávida... está sendo a fase mais feliz da minha vida.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Primeiro Livro

Hoje comprei o primeiro livrinho da minha bebéia. Filha de jornalista é assim, nem nasceu e já ganhou livrinho. Provavelmente não será um dos primeiros livros que ela vai manusear e ler, mas como marcou muito minha infância, quero muito que também faça parte da dela. É "Flicts", do Ziraldo. Tive vários livros que me marcaram quando era pequena, mas "Flicts" é especial. Tanto que eu assumo sem rodeios que sim, comprei o livro para ela, mas já o abri e o li. Comprei-o, também, para matar a saudade.

Não lembro exatamente quem meu deu "Flicts" de presente. Talvez tenha sido meu avô paterno, não sei. Sei apenas que a história da cor que não existe e seu conflito para encontrar um lugar ao sol (acabou encontrando seu lugar na lua!) me tocou de uma maneira muito forte. A cor Flicts era uma outsider e sofria muito por não conseguir se encaixar nas caixas de lápis de cera, por não conseguir ser aceita pelas outras cores. Então virou uma buscadora: caiu no mundo e foi procurar por si mesma em outros países e na natureza.

Essas questões existenciais todas parecem super complexas para crianças, e aí é que está a genialidade de "Flicts": para mim, e tenho certeza de que para milhares de pequenos leitores, a história fazia muito sentido. Tanto é que a edição que comprei, lançada no ano passado, é comemorativa dos 40 anos do livro, com vários textos especiais falando do momento histórico em que foi escrito e outros comentários muito relevantes - incluindo um bilhete escrito à mão pelo astronauta Neil Armstrong confirmando: "The moon is Flicts"! Não é tudo de bom?!

Mas o que eu mais amei é que eles mantiveram intactos outros elementos originais do livro: não apenas o texto foi preservado, mas também a tipografia, a diagramação dos parágrafos, o tom das cores. Porque não apenas o texto mas a programação visual de cada página são a história. Quem já abriu "Flicts" sabe do que estou falando.

Sei que demora alguns anos até que minha filhinha esteja pronta para "Flicts". Mas quando o momento chegar, vai ser tão especial para mim! Espero que para ela também!

Casaco de Dinossauro


E não tem essa de dizer que é só pra menino. Shiloh, filha de Angelina Jolie, só veste roupa de garoto! :)))

terça-feira, 11 de maio de 2010

20 Semanas: Num Crescendo

A barriga aumenta aos poucos, mas sem parar. Estou bem no meio da gestação e no momento a bebéia pesa cerca de 330 gramas. Até o fim da gravidez, ela ganhará quase dez vezes seu peso atual. E eu já tô me sentindo grandinha!

Como é minha primeira gravidez, meus parâmetros para comparação são pobres. Será que minha barriga está grande demais? Então não resisto e visito galerias de fotos de barrigas de gestantes que estão na mesma semana que eu - e algumas delas também se perguntam: "o que vocês acham do tamanho da minha barriga?". As panças podem ser diferentes, mas nossas inseguranças são todas iguais!

Após cada vistoria de ventres na internet concluo que estou bem na média: aquém das maiores, além das menores. E aprendo que cada grávida é uma grávida, cada gestante é uma gestante, e a área da normalidade é bastante abrangente, permite muitas formas e tamanhos. No fim das contas vejo que estou menos gigante do que muitas, mas ao mesmo tempo indubitavelmente grávida!

Sim, porque há mulheres entrando no sexto mês com uma barriguinha tão miúda que nem parece que tem neném lá dentro! Eu ia ficar muito aborrecida se fosse o meu caso! Grávida quer tamanho, quer volume, quer que o mundo note a maternidade chegando! Tenho percebido, inclusive, que quanto mais meu abdômen cresce, mais vaidosa tenho ficado - a despeito das roupas largas, do eventual inchaço e dos seios mais assanhados. Tenho me sentido especialmente confiante nessas últimas semanas.

O que não quer dizer que às vezes eu não sinta um medinho do meu corpo que cresce tanto! É muita mudança pra pouco tempo! Fora a postura que, na tentativa de compensar o novo centro de gravidade provocado pelo crescimento da barriga, contribui para lançá-la um pouco mais pra frente!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Em Modo Extra Sensível

Ontem chegaram os móveis do quartinho da nossa filha. Foi a primeira coisa que fiz quando cheguei do trabalho: ir pro quartinho dela. Era um quarto de bebê, todo branquinho, com cortininha, berço, armário, trocador. Antes era um quarto de tevê, local provável de sua concepção; antes, ainda, era um escritório; antes, mais ainda, era um quartode hóspedes, quando não tudo isso junto - mas agora: quarto de bebê. Minha filha tem onde dormir quando meu útero já não lhe servir mais. Mal sabia eu que aquele quartinho todo pronto, todo virgem, me traria a maior onda de sensibilidades desde que soube que estava grávida.

Tomei um banho e catei todas as coisinhas dela, até então armazenadas num gavetão. Coloquei Joanna Newsome no som - quase cantiga de ninar - e levei-as pro quartinho. Mal abri a primeira sacola de roupinhas e comecei a chorar. Chorei muito, precisei parar o que estava fazendo. Não era choro de felicidade, posto que felicidade é o meu estado natural já há muito tempo, especialmente desde que fiquei grávida; e é lógico que não era choro de tristeza. Era choro de emoção pura, de milhares de significados que se concretizavam diante dos meus olhos dentro daquele cômodo renovado. Naquele exato momento eu me despedia de uma parte minha e era apresentada para outra, totalmente nova.

Pela primeira vez desde que eu saí da casa da família, há doze anos e meio, havia um pedaço do apartamento interiamente dedicado à outra pessoa. À outra pessoa que é a minha filha. Que ainda é totalmente dependente de mim, e continuará sendo quando sair da minha barriga, e estará sempre à minha espera. Pela primeira vez percebi com toda profundidade que os meus dias de livre-senhora-de-mim terminaram, e de repente me senti tão pequenina como a bebéia que estou gestando, completamente desamparada, mínima diante da enormidade disso tudo.

Escrever um texto para explicar o que houve é na verdade uma inutilidade, já que o que houve não cabe à lógica nem ao pensamento que as palavras exigem. O mais próximo que consigo chegar é à analogia de um jorro incessante de emoções muito profundas.

Aos poucos, e sempre às lágrimas, fui desembrulhando cada presente, separando cada cartãozinho de felicitações. Era hora de guardar aquelas coisas no armário, na cômoda, nos gaveteiros, mas eu não sabia como fazer. Eu não sabia. Dona de casa e dona de mim há tantos anos, e eu não sabia. Pensei em ligar para minha mãe e pedir ajuda, mas que ajuda? O que é que eu não sabia sobre dobrar e guardar roupas?

É que não eram roupas, eram roupinhas...

E eu olhava pras roupinhas e não sabia o que fazer. Pensava que não sabia se deveria pendurar num cabide ou guardar numa gaveta, se deveria colocar os sapatinhos perto das faixas de cabelo. Mas na verdade não era isso. Nunca é isso. Minha falta de traquejo era, na verdade, uma denúncia sobre minha completa falta de experiência sobre a coisa mais importante que está para acontecer na minha vida. Pequenas coisas, como onde guardar a roupinha do bebê, nunca são um verdadeiro problema. Pequenas coisas apenas apontam para uma questão muito maior.

Então abracei a minha mãe-bebê, tão nua e inexperiente, à qual eu acabara de ser apresentada. Coloquei-a no colo no caminho entre o quartinho e a sala - no caminho entre o novíssimo e o tão conhecido - e deixei-a sentir.

Mães, em primeiro lugar, sentem. Eu nunca senti assim. Pra mim, foi a melhor novidade da vida. Mesmo o marido, eu o percebi melhor quando chegou em casa.

Ontem caiu uma ficha de ouro no meu coração.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O Drama das Calcinhas

Como se os vieses clássicos da gravidez não fossem o bastante, sempre há aqueles dos quais ninguém fala. Por exemplo, calcinhas. Agora que a barriga está realmente crescendo, a maior parte delas começa a ficar apertada. E eu começo a investigar tamanhos maiores do que o meu, que já é G. Além de uma bunda e um quadril grandes, minhas calcinhas terão que abrigar uma barriga cada vez maior (a bunda e o quadril eu tô tentando controlar com alimentação balanceada)!

Que drama, minhas amigas. Meu modelo clássico de calcinha é toda de renda, sem elásticos nas laterais, e os tamanhos extra-grandes, comprados ontem, não são largos o suficiente: apertam a base da barriga. Dinheiro jogado fora. Me sobraram duas opções: tangas e calcinhas cavadas, que eu sempre detestei porque apertam e entram no bumbum; e as calçonas enormes tipo vovó. Ávida pelo conforto e por uma peça que abrigue minha barriga acima de todas as coisas, fiquei com a segunda opção, já em tamanhos, digamos, avançados.

Obviamente terei que usá-las escondida do marido. Tipo pra trabalhar, e lançá-las no cesto de roupa suja assim que pisar em casa.

É lógico que procurei por lingerie própria para grávidas, mas não apenas elas são quase inexistentes como eu também nutro muitas dúvidas sobre se são mais apresentáveis do que os modelos vovó.

Bom, pelo menos até o momento tenho conseguido manter os seios dentro de uma numeração amigável para peças bonitas e conforáveis. Até o leite chegar para valer, nem tudo estará perdido!

Bercinho de Balanço


Fofo!

Demi-Maman

Domingo que vem é Dia das Mães, e eu estarei no exato meio do caminho da gravidez, completando 20 semanas. Família e marido já vão me comemorar na data, o que ainda não faz sentido completo para mim - só meio. Sinto parcialmente a sensação de ser mãe. Acho que é porque ainda falta um rito de passagem muito forte, que é o nascimento da minha bebéia. Mas tudo bem, já vou entrando no ritmo!

Sim, já faz sentido comemorar. Afinal, muitos dos sacrifícios e amores inerentes à maternidade já estão presentes. Abdiquei, de muitíssima boa vontade, de vários hábitos e prazeres de antes; e cada vez mais experimento uma paixão maior e maior por essa vida que cresce dentro de mim...!!Mas acho que não vai se comparar ao Dia das Mães do ano que vem, quando já terei minha filhota nos braços!