Ontem entrei na sexta semana de gravidez. Tecnicamente o Gergelim deixou de ser um gergelim - agora ele tem o tamanho de uma lentilha - mas sabe-se lá se eu e o amado conseguiremos migrar de denominação: talvez continuemos chamando-o de Gergelim.
Que nem quando o filho de uma grande amiga nasceu. Minha amiga apelidou o filho de Frango porque ele nasceu com a pesagem de um frango de supermercado. O moleque cresceu e ela migrou o apelido para Leitão, e depois um apelido normal, ligado ao nome dele. Mas até hoje eu o chamo de Frango (o menino vai fazer oito anos).
Amanhã rola o primeiro ultrassom. Esperamos ver, eu e o amado, o coraçãozinho do Gergelim batendo. Se tudo der certo (esse já é o meu bordão), vai ser mais uma ficha pra cair. Pra me ajudar a realizar que existe um bebê se formando na minha barriga. A mãe vai surgindo a cada um desses passos.
E são passos sem volta. A notícia da gravidez já me colocou irrevogavelmente do outro lado da linha que separa mães de não-mães. Sei que, se esta barriga não vingar, não vou sossegar enquanto não engravidar de novo. Agora que a maternidade me foi despertada num nível tão palpável, passar pela vida sem um filho seria como morar num vácuo.
Esses clichês sobre mães são todos tão certeiros.