O Gergelim já ganhou seus primeiros presentes: um par de sapatinhos da minha mãe, um par de meias, um desses bonecos tipo almofadinha com um ursinho bordado e o livro "O Que Esperar Quando Você Está Esperando", que é tipo o Delamare do século XXI.
Eu adorei o livro. Na verdade aposentei todas as minhas outras leituras e reservei minha mesa de cabeceira só pra ele. Só que o desenho da capa é um verdadeiro terror. É "uma mulher de vinte anos com cara de avó", segundo o amado - uma perspectiva muito deprimente para a grávida contemorânea, vocês hão de concordar. Então resolvi que vou fazer uma colagem de outra grávida em cima do desenho e finalizar com contact transparente. O meu exemplar vai ser personalizado!
Aliás, não tenho conseguido reconhecer o sentimento maternal de grávidas ou mães que eu não conheço pessoalmente. Parece que a grávida não está grávida e que a mãe não tem nenhum vínculo com a criança, e vice-versa. É esquisitíssimo isso. Eu só consigo sentir essa coisa especial em fotos de, ou na presença de, grávidas e mães que eu conheço.
É estranho que (futuras) mães me pareçam tão distantes simplesmente porque eu não sei quem elas são. Afinal, estamos no mesmo barco. Pode ser porque a maternidade ainda é um território muito novo pra mim e eu ainda não tenha recursos para apreender todo seu conteúdo subjetivo, vai saber. Mas acho que com o tempo passa. Se bem me conheço, com o tempo vou estar animadamente puxando papo com a primeira barriguda genérica que dividir o acento de gestantes do ônibus comigo.