terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A Gênese

Outro dia escutei de uma criança de cinco anos que papai do céu não existe. Ele corrigia o amiguinho explicando que essa história de que a pessoa vai pro céu quando morre é mentira, que na verdade as pessoas são enterradas e acabou.

Então me senti muito, mas muito melhor a respeito do meu próprio ceticismo: se uma criança achava tão lógico e natural a idéia da ausência de criador e de eternidade, eu não era assim uma mulher tão estranha por não crer em deus.

Divina, maior e inexplicável é essa força natural que, a partir de duas células, cria um Big-Bang dentro do útero, originando uma constelação de novos órgãos e sangue e personalidade e reflexos. Para mim, a grande explosão acontece toda vez que um óvulo é fecundado. A vida toma conta de si própria sem ajuda de mais ninguém.
Mas antes de gerar polêmica: o amado é cristão e estamos de pleno acordo que o bebê será batizado. Além disso, eu mesma já elegi dois grandes amigos para realizar um ritual de boas-vindas xamãnico em outra ocasião, que celebre as forças da natureza - é o mais perto do "religioso" que consigo chegar. Embora eu pretenda ser totalmente clara, com orgulho e tranqüilidade, a respeito da minha não-crença tão logo o Gergelim comece a perguntar, penso que ele pertence a todos os que o amam, incluindo suas crenças diversas.