sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Tendo a Lua, Aquela Grávida

É, entrei mesmo em ritmo de parto.

Tudo é preparativo, tudo é expectativa.

A partir de agora, qualquer dia pode ser o primeiro dia do meu último mês de gestação.

E todas as crendices ameaçam dar pistas verdadeiras sobre quando minha filha nascerá. A maior delas é sobre a lua.

Obstetra algum sustenta que seja verdade que mais crianças nascem na virada das luas, ou na lua cheia. Mas parece que mulheres de toda parte têm exemplos assim para dar. Foi o filho de uma, a sobrinha de outra.

Talvez aconteça com quem acredita; talvez as pessoas simplesmente prestem mais atenção quando o parto coincide com uma virada de lua, ou lua cheia.

Minha fisioterapeuta já avisou, "presta atenção na lua cheia de setembro, viu?", que é exatamente quando minha gestação completa 39 semanas. Será a nona lua cheia desde a concepção da bebéia, dia quentíssimo segundo o mulherio do escritório - 23 de setembro.

Eu, mesmo em geral muito cética, já estou under the influence do palpite. Caso se concretize, a bebéia nascerá libriana fronteiriça com Virgem, conforme aposta um titio dela.

Seria mais um mês e dez dias, e eu já estou tão pesada! Um suplício dormir confortavelmente, inchaços praticamente inevitáveis. Dá vontade dela nascer logo, ao mesmo tempo em que desejo que ela fique na barriga o máximo de tempo possível, para que se desenvolva completamente.

É esperar pra ver nascer.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Divinha

De todas as milhares de criancinhas que tenho visto em sites de gestantes e blogs de bebês, foi por essa garotinha aí de cima, que aparece em segundo plano numa foto, que eu desenvolvi obsessãozinha.

Gostosa!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Um Parto

As pessoas não têm muita vergonha de perguntar se eu vou parir normal ou fazer cesária - mas muitas arregalam os olhos quando digo que sim, vou tentar normal. Mulheres que já tiveram filhos exclamam "Ai, não tive coragem!", e explicam que preferiram marcar logo uma cirurgia a enfrentar a dor. De forma nenhuma as condeno: eu mesma estava inclinada a abrir a barriga no início da gravidez, mas fui dissuadida pela minha obstetra. É uma ingenuidade romantizar um trabalho de parto e achar que a dor é suportável, só porque é uma "dor boa", que está ajudando a trazer o bebê ao mundo. Dor é dor, e a do parto está entre uma das mais lancinantes da história da medicina.

Só que estamos no século XXI, e parto normal se faz com anestesia. Pelo menos aqui no Brasil, parturientes da rede particular de hospitais são tratadas com piedade e ganham aquela dose amiga de epidural lá pelo quinto centímetro de dilatação. Fora daqui, nos Estados Unidos e Europa, a maioria esmagadora dos partos é à sangue frio - quando não são as prórpias futuras mamães que aderem à moda do parto em casa. Uma amiga que morou em Amsterdam e hoje vive em Londres disse que todas suas conhecidas se arrependeram amargamente da idéia: "Em casa, nunca mais!", dizem elas, traumatizadas.

Minhas amigas que enfrentaram o parto vaginal alegam que "foi a melhor coisa" que fizeram, apesar dos desconfortos (até a anestesia poder ser aplicada, sente-se um bocado de contrações, sem contar com as horas de ansiedade em trabalho de parto e a força descomunal que é preciso fazer para ajudar a expulsar o bebê). Mesmo assim, é a boa: escapa-se de um mês de pós-operatório dolorido e debilitante, aciona-se um monte de hormônios que ajudam a produzir leite e retrair o útero pro tamanho normal. Além disso, os pulmõezinhos anfíbios do bebê são ativados ao passar pelo canal, eliminando líquido amniótico. Parto normal pode ser bárbaro e aterrorizante, mas não consigo resistir ao fato de que é um sistema perfeito para duas vidas que (re)começam, a da mãe e do filhote.

Trêmula, encararei de bom grado.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Matryoshkas Dominando!


Tem sempre aquele drama sobre o quartinho do bebê, de que cor vai ser, se vai ter tema.

Depois que um tio da bebéia trouxe de viagem para ela um set de espelhinhos em forma de matryoshkas e que minha mãe resgatou os dois conjuntos de bonequinhas russas que meu avô havia me dado quando eu era pequena, não restaram dúvidas!

Pra reforçar o tema, uma grande amiga, que borda maravilhosamente, está fazendo um enxoval todo de matryoshkas, que inclui lençóis e protetor de berço e de carrinho.

A vovó da bebéia também não se contece e ontem comprou um vestidinho estampado com bonequinhas étnicas, entre elas matryoshkas.

*

Ontem, aliás, foi o grande dia de compras para a chegada da bebéia. Peguei uma lista de enxoval sugerido por uma amiga e fui à luta com minha mãe. Agora só falta mesmo é decorar o quartinho e deixar a mala da maternidade arrumada, de prontidão.

Mas não é pra nascer agora, filha! Vamos esperar no mínimo mais cinco semanas, tá bem?

domingo, 1 de agosto de 2010

Hoje

Hoje seu pai sonhou com você. Disse que você fazia altas acrobacias na minha barriga. Esta noite tive um pouco de insônia, pois já é um pouco difícil encontrar uma boa posição pra dormir, mas acho que você não estava nem aí. Acho que dormia profundamente, nem se mexeu. Numa dessas tentativas esforçadas de adormecer, acabei parando em algum lugar entre o sono e a vigília e então também tive uma visão de você. Do seu rostinho, que já me causa tanta curiosidade. Olho para as suas roupinhas penduradas no armário e já sinto tanta saudade de você, tanta vontade de vê-la dentro de uma delas e abraçar você nos meus braços e te alimentar, e te fazer dormir.
Está tudo tão perto de acontecer.
Hoje entro no oitavo mês de gestação. Hoje também entramos em agosto. Quando perguntarem quando você nasce, já posso responder:
- Mês que vem!

terça-feira, 27 de julho de 2010

31 Semanas

31 semanas, minha gente. Nine to go.

Basciamente a bebéia está toda formadinha. Até o nascimento, ela só vai maturar o que já tem: mais redes neurais, melhor sistema imunológico, pulmões mais potentes. Ah! E mais gordura sob a pele - porque bebê rechonchudo é bom e a mamãe gosta muito de apertar criança!

Se ela nascer na data técnica - 27 de setembro, quando completa 40 semanas - vai ser daqui a exatos dois meses. Mas eu acho que ela chega antes disso. Sei lá. Palpite.

Agora que o casamento passou, as atenções se concentram na sua chegada. É hora de finalizar o quartinho e de treinar para um possível parto normal (tomara).

A bebéia continua se mexendo muito e as contrações de Braxton-Higgs (ou de "treinamento", em pequenas áreas da barriga) começam a se tornar freqüentes. Às vezes confundo uma coisa com a outra, movimentos fetais com contrações - porque o útero está mais esticado e mais sensível aos trancos da filhota, e às vezes é desconfortável como uma contração. Mas estou aprendendo a diferenciar.

Ela reage cada vez mais regularmente à voz do pai, que conversa toda noite com a barriga. Parece coisa de filme!

Lutando bravamente para não engordar muito. Me saí bem até agora, com nove quilos ganhos. Lutando bravamente também para não me deixar inchar muito também. Muito líquido, fibras, frutas. E leite, e carne moída, porque mais do que nunca a bebéia precisa de cálcio e ferro.

Cada vez mais curiosa sobre seu rostinho. Sobre se terá cabelo ou se será carequinha.

Constantemente imagino-a dentro da barriga - apertada, encaixada, posicionada. No último ultrassom, há duas semanas, ela continuava de cabeça pra baixo, na posição ideal para nascer. A essa altura, muito provavelmente continuará assim.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Casar Grávida é para Heroínas

Não, a bebéia não nasceu antes da hora! Meu sumiço ficou por conta do pocket-casamento e dos três dias de míni lua-de-mel que o precederam. Quem diria...

Quando eu e o marido resolvemos engravidar, ficar com ele pro resto da vida estava nos meus planos, mas casamento não. Simplesmente não pensava a respeito. Achava que a vida poderia seguir o mais naturalmente possível: amor, nascimento e alegrias sem maiores rituais. E ela pode! Mas o marido tinha planos um pouco diferentes para nós. Estava no segundo mês de gravidez quando ele armou uma serenata embaixo da janela de casa e fez o pedido.

Até sábado passado, dia do "Sim!", pensava que morar junto era igualzinho a estar casado. Descobri que não é. A prática de dividir o mesmo teto, estar junto todo dia, pode até ser; mas emocionalmente um pedaço de papel faz, sim, a maior diferença - pelo menos para mim. O nível de entrega, a profundidade do amor, aumentaram muito. A ficha de que o marido agora é o meu marido ainda está caindo, mas desde os primeiros momentos não tive dúvida de que foi uma das melhores coisas que já fiz na vida! Com qualquer outro homem teria sido um ledo engano. Acho que casamento é isso: ou você acerta em cheio ou erra feio.

Pro papel de noiva, no entanto, eu não levei muito jeito. Na real me senti um alien! Precisei que me caçassem para jogar o buquê (que por sinal eu não sabia onde estava) e clamei pela ajuda dos universitários na hora de cortar o bolo (cortei meio estranho).

Acho digníssimo essas mulheres que atravessam a noite impecáveis dentro de seus vestidos brancos, sem um fio de cabelo fora do lugar, cumprindo sucessivas tradições como se estivessem dançando balé - mas são elas que espalham a idéia de que ser noiva é fichinha. Por mais reduzida que seja a festa, ser noiva é exaustivo! E grávida é pior ainda!!! Devia existir uma lei que impedisse que gestantes se casassem em ocasiões com mais de dez pessoas! Se uma noiva regular já é naturalmente o centro das atenções, e isso cansa horrores, uma noiva grávida é assediada com ainda mais vigor por todo mundo, principalmente pelos idosos! Porque você não só está de branco como também tem uma barrigona com um bebê superquerido lá dentro, e tem que estar disponível para todo mundo que quer saber dele - afinal, você é a porta-voz da criança. Então muito rapidamente minhas costas doíam, minha barriga pesava demais, e por muito tempo não deu nem pra sentar e beber um copo d´água.

Desconfio que aquele copinho de champagne que não sai das mãos das noivas as ajudam muito na missão! Mas e nós, gestantes, que não podemos chegar perto de álcool?

Portanto: no próximo casamento grávido que vocês comparecerem, capturem a noiva, coloquem-na sentada numa cadeira überconfortável, providenciem vários copos de sucos e comidinhas para ela e finjam que são um grupo super mal-educado de convidados que não a deixam em paz! Na verdade vocês estarão proporcionando descanço, alimento e sais minerais à pobre coitada. Não, não pergunte a ela se ela quer descançar - não vai adiantar. Ela (e muita gente!) acha que noivas precisam obedecer a um protocolo digno de mulher-maravilha. Simplesmente obriguem-na a parar ali por pelo menos dez minutos e respirar um pouco!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Verdade É Que

Eu me casei com o seu pai no dia em que concebi você.

terça-feira, 13 de julho de 2010

I Just Had to Let It Go

Muito se ouve falar sobre mulheres agradáveis que se tornaram desinteressantes depois de terem filhos.

No começo da gravidez eu temia ser uma delas.

Hoje em dia eu pouco ligo se assim me considerarem.

Aparentemente, o caminho está sendo feito: das centenas de sites sobre pautas diversas que eu visitava por dia, sobraram apenas seis nos meus Favoritos - o resto é todo relacionado a gravidez, bebês e assuntos afins. Encerrei indefinidamente as atividades de meu amado blog de variedades por simples falta de assunto outro que não gestação e filhos.

Na minha mesa de cabeceira, antes repleto de títulos desafiadores, agora jazem "O que esperar quando você está esperando", "Filhos sem Deus", "Criando meninas" e "O segredo de uma encantadora de bebês". Eu já não acompanho os últimos feitos do Large Hadron Collider, mas estou por dentríssimo das marcas de chupeta BPA free.

Se me julgarem por esses termos apenas, sim, me tornei uma mulher monótona que só pensa em criança. Mas eu acho que só as pessoas muito estreitas me vêem assim. Não é por causa de bordões bobos como "ser mãe é a missão mais maravilhosa do mundo" que eu acho que eu continuo sendo um ser humano legal, mas simplesmente porque, por mais energia que eu esteja colocando nessa área da minha vida - que, por sinal, com quase sete meses de gravidez, é o mínimo que eu faço - isto não me define como mulher. E não define muitas outras mulheres incríveis que contam semanas de gestação e trocam fraldas por aí.

Mulheres que sempre tiveram múltiplos interesses sempre serão multi-interessadas no mundo. Nós só queremos que respeitem o tempo que precisamos para nos aprofundarmos no assunto que mais exigirá nossa atenção e seriedade, que é ser mães. Vale a pena nos dar esse crédito! Nossos filhos serão crianças adoráveis que serão capazes de entender a saga do bóson de Higgs tão logo larguem a chupeta BPA free!

John Lennon era homem mas cabe lindamente como exemplo. Quando Sean, seu filho com Yoko Ono, nasceu, ele tomou à frente a criação do moleque e foi muito criticado pela inteligentzia da época por não mais priorizar o mundo das idéias e das artes. Bem, em primeiro lugar,eu fico feliz por ele: gênios também desejam a quietude de uma mulher e um filho! Que saco isso de ter que servir a humanidade em detrimento das próprias necessidades pessoais! Em segundo, só as tais pessoas estreitas não conseguem enxergar a genialidade dos últimos álbuns solo de Lennon. Um exemplo é a música "Watching the Wheels", de pegada maravilhosa, que explica direitinho essa questão toda.


sexta-feira, 9 de julho de 2010

Momentinho Bitchy

A diva pop Lady Gaga revela coxas casca-de-laranja ao usar cinta-liga e meia sete-oitavos.

É um pedacinho de céu para nós, grávidas com membros inferiores cobertos de celulite! Me sinto um pouco melhor agora!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

É Que o Coração Amolece

Uma das primeiras coisas que a gente aprende quando engravida é que a placenta começa a produzir altas doses de relaxina, um hormônio que ajuda no relaxamento dos músculos e da união dos ossos. Afinal, existe um bebê crescendo lá dentro e o corpo todo estica! Sem falar na temida hora do parto, quando precisamos ficar elásticas.

Mas eu tenho pra mim que a relaxina também atua sobre a musculatura cardíaca. Isso explica porquê a gente fica tão coração mole na gravidez! Faz parte do processo do amor crescendo que eu comentei no post anterior. A gente entende coisas que jamais entendeu antes - principalmente as mães e suas maluquices. E fica com os olhos muito marejados quando passa o comercial do Pedigree com todos aqueles vira-latinhas abandonados. Ai, que tadinhos!

Passamos a ser mais condescendentes com coisas que antes criticávamos, tipo o solo lunar que nossas coxas se transformaram de tanta celulite, ou que tinha horror, tipo fralda suja de bebê - aumenta a capacidade de rir das pequenas tragédias. Das grandes, no entanto, somos as primeiras a chamar a polícia.

Sempre me lembro das palavras de um amigo, pai de três meninos, em resposta à minha dúvida sobre se conseguiria estar espiritualmente pronta para receber o bebê quando ele nascesse: "Calma que dá tempo. Até lá são muitas mudanças!"

Eu mal imaginava...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Gente Sente o Amor Crescendo

O amor pela bebéia cresce junto com a barriga. Acho que eu já disse isso antes por aqui, mas vale a pena frisar. É incrível como a gestação te prepara por inteiro para a chegada do filho - não só física mas também emocionalmente.

A gente vai ficando íntima da barriga. Começa a conhecer os ciclos de sono e vigília do feto. Quanto mais ele cresce, mais real se torna na nossa cabeça, mais presente na nossa vida.

Antes eu achava esquisito falar com a bebéia. De repente, começou a ficar normal.

E o amor? É diferente que qualquer amor que já se sentiu na vida, e só aumenta, e aumenta...

Meu maior terror na vida é que minha bebéia nasça e demore muito pra vir ficar no meu colo. Eu chegar no quarto, depois de parir, e esperar muito até que ela esteja pronta para ficar comigo.

Então sempre digo pra ela ficar bastante tempo dentro da barriga até a hora certinha de sair, pra quando ela chegar, não precisar fazer nenhum pit-stop em incubadora alguma, e sim nos meus braços.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Centésima Postagem

Esta é a centésima postagem do Matryoshka Humana! Não achei que ia render tanto. Estou pensando em algum dia passar todas as postagens para Word, imprimir, criar uma capa bonita, guardar e dar de presente pra minha bebéia quando ela já for adolescente. Quem sabe quando ela fizer 15 anos.

Será que ela vai ser o tipo de garota que liga pra essa história de debutante? Será que em 2025 alguém vai ligar? Aliás, as meninas de 15 anos de hoje em dia ligam pra isso? Há muito tempo não conheço ninguém de 15 anos.

Logo no começo da gravidez eu comprei um álbum lindo para montar um "álbum do bebê" com fotos do ultrassom e da minha barriga, e com os e-mails incríveis que recebi (recebo até hoje) sobre a gravidez, mas acho que o grande álbum é o Matryoshka. Não desisti do outro, até porque, por conta da privacidade, tem muita coisa que não publiquei aqui, mas o Matryoshka é de alguma forma mais completo.

Até quando vai durar? Até quando vou conseguir postar? Alguns setores da minha vida, como minha produção de textos para outros blogs e sites, já estão de licensa-maternidade! O nascimento da bebéia vai significar um renascimento pra mim, em outra vida que eu desconheço. Então não sei ao certo. Mas acho que vai haver um enorme hiato e depois uma retomada com posts curtos. Ou quem sabe um pequeno hiato com muitos posts, já que o exercício da escrita até hoje foi indissociável das minhas maiores alegrias?

Eis mais uma das delícias de engravidar: a gente nunca mais sabe como a vida da gente será. Surprise, surprise!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Encheção de Saco

Nem sempre aquela atenção recebida em altas doses durante a gravidez é agradável. Um dos maiores pés no saco é todo mundo julgando o tamanho da sua barriga: ou tá muito grande ou muito pequena. Nunca agrada. No meu caso, para alguns chatos de plantão, tá grande demais.

"Noooossa, só seis meses?", questionam os pentelhos. Sim, só seis meses, e com ganho de peso em sete quilos até agora - padrão de excelência para qualquer gestação. Ou seja, nem é gordura, é bebê.

Eu tô adorando ver minha barriga crescer. Acho que estaria meio desapontada se ela não tivesse redonda como o ovo de páscoa que parece ser! E adoro quando as pessoas curtem isso, adoro quando comentam com carinho e tal. Mas não é todo mundo que sabe fazê-lo.

Hoje um sujeito do meu trabalho começou com o papo de um jeito estranho, como se existisse alguma coisa de errado com o tamanho da minha barriga. Respirei fundo e pacientemente expliquei que seis meses não é pouquinho e que a bebéia já tem cerca de 34 centímetros - ou seja, precisa existir uma barriga considerável. Que a médica disse que minha pança está super dentro do tamanho normal e que minha mãe também ficou barrigudona quando o feto era eu. Sem contar que, se a barriga estivesse de fato tão absurda, eu não estaria usando um vestido que comprei muito antes da gestação. Espírito de porco, o palhaço não se abalou: "Tem certeza de que só tem um bebê aí?"

Minha maior decepção foi não ter tido a presença de espírito de perguntar para ele se ele, como aquele barrigão, é que não estava grávido de gêmeos! Mas tenho certeza de que não vai faltar oportunidade!

Outra encheção é repetir, in a daily basis, sempre para as mesmas pessoas, que a bebéia nasce em setembro. "Quando nasce?", "Em seteeeeeeeembro". Eu já nem escondo a cara de saco-cheio.

Nem sempre muita atenção é boa atenção. Bando de malas!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Rapaz Perdoa Mãe Biológica que o Abandonou em Hospital

O moço tem 23 anos e é argentino. Lançou uma campanha no Facebook, apoiado pelos pais adotivos, para localizar a mãe biológica - e conseguiu!

Quando a encontrou pessoalmente, ela pediu desculpas por tê-lo abandonado. Ele disse aos jornalistas: "Eu queria agradecer porque ela me deixou nascer, não me abortou. Ela me manteve vivo durante os sete meses da gravidez" (leia mais aqui).

Essa história me comoveu de duas formas.

A primeira, pela doçura do rapaz. Seria absolutamente compreensível se, ao contrário, ele sentisse raiva ou desprezo pela mãe, mas não: ele agradeceu a ela por ter lhe dado a chance de viver.

A segunda, exatamente pelo poder e responsabilidade das mulheres na decisão de gerar ou interromper a vida. Acredito que as mulheres devam ter direito de escolher se levarão uma gravidez adiante ou não, mas é fundamental manter em perspectiva que aquela vida que ela está gerando é um filho em potencial, que depende inteiramente dela para continuar existindo.

Há alguns anos uma amiga muito querida engravidou. O namorado a princípio incentivou a gravidez, mas pareceu mudar de idéia quando ela confirmou a concepção. Ele se isolou e ela se sentiu muito triste e sozinha, e considerou interromper a gestação. Embora eu seja pró-escolha, disse a ela: "A única chance que esse embriãozinho aí dentro tem de sobreviver é você deixá-lo crescer e nascer; é pensar e decidir como mãe". Não dava para deixar a postura covarde do pai ser tão poderosa a ponto de interromper uma gravidez que a princípio era desejada!

Minha amiga enfrentou, sozinha, muitas outras atitudes mesquinhas do sujeito, que estava com ela sem estar. Mas fiquei muito, muito orgulhosa dela por ser muito maior do que isso e parir seu filhote lindo nove meses depois!

Quanto mais jovens, mais os filhos dependem das mães para viver: precisam ser amamentados, limpos, protegidos. Mas a dependência mais vital de todas acontece antes mesmo de nascerem: precisam que suas mães decidam se continuarão existindo.

Alerta: BPA

Acabo de me dar conta de que ainda não mencionei por aqui um assunto que tem sido super relevante nos preparativos para receber minha filhota: mamadeiras e chupetas sem BPA.

BPA (ou bisfenol A) é uma substância tóxica presente em plásticos, inclusive tupperwares e artigos para bebês. Acredita-se que ele pode causar várias doenças, como câncer. Nos EUA e na Europa, muitas marcas, especialmente de mamadeiras e chupetas, já possuem linhas BPA-Free, mas aqui no Brasil o assunto só começou a ser abordado recentemente e ainda é superdifícil de encontrar.

Pedi para uma das vovós genéricas da bebéia trazer mamadeiras e chupetas BPA-Free de Nova York, e ela disse que os americanos levam o assunto tão a sério que já nem existem artigos para bebês com BPA. Ela trouxe várias mamadeiras e chupetas incríveis, e aqui vai meu beijão para ela! Muáh, querida!

As gestantes também precisam se precaver, porque o BPA pode atravessar a placenta e já contaminar o feto. Então é importante limitar o uso de potes plásticos no dia-a-dia, e evitar esquentá-los, porque altas temperaturas liberam mais BPA ainda.

Saiba mais sobre os riscos do BPA nesta matéria do Telegraph (em inglês).

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Melissa Vivienne Westwood para Bebéias


Vou voltar a usar Melissa só pra fazer parzinho com a minha filhota. MIMO!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Hello Stranger

Engraçado dizer isso, mas ainda não conheço minha filha. Não pessoalmente, apesar dela estar dentro de mim. Só a conheço por ultrassom e movimentos - não dá pra dizer que se conhece alguém através de foto ou esbarrão. Então: não conheço minha filha.

A primeira coisa que vou dizer a ela quando encontrá-la é "Oi fiiiiiilha, benvinda ao mundo! Eu sou a sua mãe". Acho que nesse momento vou me sentir meio que cicerone dela no planeta Terra.

E como cicerone, vou quebrar a cabeça para conhecer minha hóspede, entender do que ela gosta e como ela funciona. Vou precisar explicar pra ela como é que são as coisas na vida, desde a troca de fraldas até o banho de banheira.
Mais tarde suas dúvidas ficarão mais sofisticadas e precisarei explicar que a vida é composta de coisas muito boas e muito ruins - uma coisa muito boa para cada coisa muito ruim, porque tem que dar novesfora zero. E que a idéia é tentar ficar sempre do lado das coisas boas e se proteger das ruins.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Picolé do Aquecimento Global



Conscientizando de um jeitinho um pouco traumático!

Lésbicas: Pré-Selecionadas para Serem Melhores Mães!

Agora deu uma ponta de invejinha! Hahahaha!

Uma pesquisa desenvolvida com 84 famílias americanas ao longo de 17 anos revelou que filhos de casais de lésbicas podem se desenvolver melhor do que os de casais heterossexuais:

Ao longo dos anos, os cientistas constataram que elas tinham mais confiança, autoestima, melhor desempenho escolar e eram menos agressivas do que algumas crianças filhos de heterossexuais.

(...)

Eles afirmam que lésbicas estimulam seus filhos a lidar com o preconceito e a diversidade. Além de abordar com mais naturalidade temas como sexualidade e tolerância. “Essas mães devem educar seus filhos a partir de uma visão positiva e afirmativa sobre os diferentes modelos familiares e prepará-los para lidar com o preconceito”, diz Borges.

Pais héteros tem o que aprender com elas, hein?

Mais no site da Crescer.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

25 Semanas

Tecnicamente, da 24a para a 25a semana, o feto pula de 29 para 33, 34 centímetros. Isso explica o crescimento quase instantâneo da minha barriga na última semana! Os sites de acompanhamento de gravidez informam que agora meu útero está do tamanho de uma bola de futebol: viva a Copa do Mundo, hahahaha!

A bebéia se mexe praticamente o dia todo, com intervalos de uma ou duas horas, que é quando ela deve tirar uma soneca. Durante a noite, acordo de três a quatro vezes para fazer xixi e ela nunca se movimenta. Espero que seja sinal de que ela gosta de dormir a madrugada inteira!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Atenção

Desde pequenas a maior parte das meninas imagina como é ficar grávida. É um tal de enfiar almofada embaixo da camiseta, e o parto?, o parto é o simples ato de tirá-la dali! Mais velhas, as fantasias passam a ser mais realistas, mas ainda assim existe um enorme abismo entre o que se espera da gravidez e a gravidez propriamente dita.

Antes de experimentar uma gestação, nosso imaginário se pauta pelas emoções que sentimos quando estamos na presença de uma mulher grávida. Gestantes são facilmente identificadas numa multidão e em geral atraem alguns segundos a mais de olhares do que o resto. Na maior parte das vezes nos mobilizamos para proporcionar bem-estar a elas, mesmo que não as conheçamos (ok, talvez não se você estiver na Inglaterra!). No ambiente social ou de trabalho, elas se tornam criaturas especiais que geram sempre alguma curiosidade. Tive uma vez uma estagiária grávida, e sua presença, mesmo que corriqueira, era diferente de antes dela conceber. Grávidas tem esse je ne sais quoi.

Pois então: uma das maiores fantasias sobre estar grávida é a respeito da atenção que se ganha. Quer dizer, a atenção, sempre massiva, está lá: é você que rapidinho não está nem aí pra ela. A gente pensa em como vai ser gostoso receber paparico extra durante a gravidez, mas essa é uma das primeiras coisas que deixam de ter importância.

Porque muitas, muitas outras coisas são mais importantes e emocionantes. Nossa atenção deixa de recair sobre a atenção recebida e se desloca para a vida que muda ao gerar outra vida. Uma vez que a percepção do mundo se transforma a partir do teste positivo de gravidez, é de se esperar que as expectativas anteriores se tornem cada vez mais inexatas.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Por Favor, Ceda o Lugar

Gestantes inglesas estão sendo deixadas em pé em transportes públicos cheios porque o povo que está sentando teme confundi-las com mulheres gordas e passar vergonha, diz o Telegraph. Quatro em cinco grávidas afirmam que já viajaram em pé durante todo o trajeto, sem que ninguém tenha cedido um acento para elas!

A minha barriga de grávida é bem redonda, então nunca passei por isso: sempre tem alguém que me dá o lugar, que eu ocupo agradecendo muito. Cada entrada num ônibus ou metrô é uma tensão, porque a barriga compromete muito o equilíbrio e é a primeira parte do corpo que sai batendo pelos cantos. Mas já vi uma menina gravidíssima no metrô ficar em pé enquanto dois garotões saudáveis ocupavam os acentos especiais na frente dela. Dá vontade de largar a mão na cara dessa gente!

O governo inglês pretende distribuir adesivos "Baby on Board" para identificar as gestantes.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sofia, o Nome Mais Comum dos Últimos Tempos

Não é só no Brasil não: Sofia (e variações) é o nome de menina que mais aparece nas listas dos dez nomes mais comuns de vários países (2007/ 2008)!

Está em primeiro lugar na Alemanha, Argentina e Escócia; segundo no Brasil, EUA, Canadá e Nova Zelândia; terceiro na Finlândia e Itália; quarto na Holanda; quinto no Chile, Hungria e Irlanda; sexto no Reino Unido; sétimo na Áustria e Ucrânia; oitavo na Austrália; e décimo na Noruega, Polônia, Rússia e México.

Sofia pode ser também Sophia, Zofia, Sofie, Sophie, Zsófia...

É um nome lindo! Mas fico pensando nos fatores que levam um determinado nome a ser tão popular mundo afora numa determinada época.

Nem tão misterioro quanto isso é entender o que se passa na mente do povão que ama enfiar um Y no nome da filha ou não resiste a uma terminação em "son" para o filho. Esta matéria é bastante reveladora: explica que estrangeirismos relacionados a nomes anglo-saxões estão relacionados ao desejo de que o filho pareça mais importante e tenha melhores oportunidades na vida. Fiquei chocada com um trecho em especial:

Um cartório paulistano preparou uma lista de 17 variações de Stéphanie para ajudar pais que queiram "sofisticar" o nome das filhas.
Deve ter Stéphanie começando com C ao invés de S!

Sou super a favor de procurar um nomezinho diferente pro rebento, mas há (muitos) limites, né?

sexta-feira, 4 de junho de 2010

The Lícia

Penso em doces na mesma proporção que rapazes adolescentes pensam em sexo: milhares de vezes por dia. E, da mesma forma que eles, existe um abismo entre idéia e prática, ou seja, penso muito mas não como nunca! Ou muito raramente.

A pole-position dos meus desejos têm sido Haagen-Daas (pote de 400ml todo pra mim, claro) e crepe de nutella ou doce-de-leite com coco. Embora o acesso a essas delícias seja facílimo (passo diante de geladeiras de Haagen-Daas duas vezes por semana, a cada ida ao mercado; e uma lanchonete da minha rua entrega ambos os sabores de crepe em casa), não cedi nenhuma vez a nenhuma dessas maravilhas desde que engravidei.

Gestantes costumam dar-se o direito de usar pantufas de jaca no quesito comida, mas eu nunca fui exatamente magra e morro de medo de não conseguir perder o chamado baby weight depois que minha filhota nascer. E assim sigo eu, sempre na contramão das tendências.

Durante a gravidez ganha-se peso num piscar de olhos. Mas o metabolismo está aceleradíssimo (bem, o meu está) e um diazinho de controle e boa caminhada na praia consegue até corrigir eventuais exageros. Mas tem vezes que não adianta: o bebê cresceu, há mais sangue circulando, mais líquido amniótico, etc, e o ganho é legítimo.

Atenta, tento distingüir o que é peso real e o que foi exagero. Até agora minha obstetra não identificou nenhuma mancada.

Os seios e a barriga já chutaram a maior parte do meu guarda-roupa original pra escanteio, mas aos 5 meses e meio ainda uso vestidinhos soltos de antes da gravidez. Meu termômetro maior são as mangas de tecido, que ainda me vestem como antes, sem apertar os braços. Pode ser realmente que o ganho de peso até agora não tenha gerado gordura residual.

Amém, pessoal. É uma pequena luta a cada pensamento com recheio de chocolate...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Mulher Passa 20 Dias em Trabalho de Parto

Dá pra imaginar uma coisa dessas?

Mas isso não é o pior: ela estava com apenas cinco meses e meio de gravidez quando seu filho nasceu! É como se minha bebéia resolvesse nascer hoje - ela estaria com meio quilo, 29 centímetros e menos de 20% de chances de sobreviver.

Amy Buck, 17, é inglesa e sua gravidez apresentava problemas desde a 15a semana. De 4 para 5 meses ela deu entrada no hospital com cólicas, mas os médicos disseram que era normal. Amy então passou a sentir cada vez mais cólicas, contrações e dores suportáveis. Ficava muito de cama. Depois de 15 dias, deu entrada novamente no hospital e dessa vez os médicos entenderam que ela já estava em trabalho de parto desde a vez anterior!

Amy ficou internada por mais 5 dias, tomando remédios para evitar o nascimento do bebê. Não adiantou. Mesmo assim ele se agarrou às suas poucas chances de sobrevivência e tudo deu certo! O pequeno Daniel acaba de completar um aninho.

Detalhes no Daily Mail ( em inglês).

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Só os Cangurus São Felizes!

Eu vivo dizendo que essas sondagens do bebê - ultrassons, descoberta do sexo, os próprios chutinhos - são superimportantes para conhecê-lo antes mesmo do nascimento. Pois é. A fotinho em 3D da bebéia teve um impacto tão grande em mim que aflorou um desejo muito forte de tê-la logo nos meus braços! Ai, que vontade...!

Ao mesmo tempo sei que, quando nascer, vou sentir muita falta dela se mexendo dentro da minha barriga... vai ser bem estranho não ter mais minha filha crescendo dentro de mim.

Talvez maternidade seja um pouco esse desejo de ser marsupial, como os cangurus: o bebê nasce e mama, mas por algum tempo ainda volta pra bolsa que existe na barriga da mãe para continuar se desenvolvendo...

domingo, 30 de maio de 2010

23 semanas: foto 3D

Não páro de olhar. Nem de babar.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ecologia: a Nova Anti-Feminista?

A feminista francesa Elizabeth Badinter acaba de lançar um livro que acusa o movimento ecológico de oprimir o feminismo, a medida em que impõe a amamentação, o regresso às fraldas de pano e outros hábitos de criação dos filhos que, no passado, prendiam as mulheres em casa, impedindo sua emancipação.

Embora eu sinta atração natural por assuntos polêmicos - chacoalhar opiniões formadas costuma me fazer bem -, considero muito perigoso tomar partido incondicional de militâncias em geral, ecologia e feminismo incluídos. Mas agora que estou grávida, admito que o que Elizabeth coloca faz algum sentido para mim. É evidente que não se trata de um grupo de misóginos do Partido Verde numa conferência secreta conspirando conscientemente para tirar o mulherio da jogada. Mas a equação correção ecológica versus mãe que trabalha me parece longe de um resultado equilibrado (pelo menos enquanto as usinas de reciclagem de fraldas descartáveis não for uma ampla realidade).

Eu, uma ex-semi-paranóica com relação a detonação ambiental e aquecimento global, admito com dó: só daria para ser ecologicamente correta durante a licensa-maternidade, quando haveria algum tempo para se engajar nas premissas da maternidade verde, que inclui fraldas de pano, aleitamento exclusivamente no seio e tudo mais. Depois disso, as praticidades que permitem à mãe trabalhar fora transformariam os bebês em pequenos desastres ecológicos. É a realidade.

Eu super respeito eco-chatos. Se tivéssemos parado de ridicularizá-los e começado a levá-los a sério há décadas atrás, talvez minha filha que ainda nem nasceu não correria o risco de enfrentar escassez de água ou verões de 50 graus. Só que infelizmente o papel da mãe que fica em casa - uma das atividades mais exaustivas e fundamentais do mundo - tem valor zero, e foi-se o tempo em que qualquer pai de família era capaz de sustentar o clã sem a ajuda do salário da mulher. E sem alimentos industrializados, fraldas descartáveis e creche/ babá, não há mulher que consiga voltar pra trabalhar.

Elizabeth Badinter vai além: para ela, a natureza virou o novo Deus. De fato: eu, que no momento me esforço para me acostumar com a probabilidade de dar à luz via parto normal (sim, sou uma mulher do século XXI totalmente avessa a dor e ao sacrifício!), fico de cara com o hit que parir em casa se tornou. Muita gente me aborda já presumindo que o parto será natural, e poucos conseguem esconder a pequena surpresa que se faz quando admito que não encaro horas de contrações horrorosas e a expulsão do bebê com romantismo. Normalmente concluo o papo com "Se for natural, o marido está proibido de sair do lado do meu ombro, e não vou querer que ninguém filme ou fotografe". Para minha sorte, estamos no Brasil, onde minha obstetra já entendeu que vou querer todas as anestesias a que tenho direito, porque Badinter informa: "Em nome desta ideologia naturalista, nos países escandinavos quase não há mais anestesia peridural nos partos, ela até mesmo é fortemente desaconselhada."

Se a gente for radicalizar, entraremos no mérito da superpopulação, que já é catastrófica em si. E aí, o que a gente faz para salvar o planeta? Extinção humana voluntária? Tenho certeza de que o processo seria muito, muito triste: viver num mundo sem a possibilidade de redescobri-lo através dos olhos de um filho, sem ter uma criança para depositar a esperança de que as coisas mudem, me traria a certeza de que de fato não faria sentido continuar existindo.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Quando Ela Mexe

Quando ela mexe - ela mexe tanto comigo!

Quando não mexe, nem sempre ela sempre mexe, me dá um medinho, me dá um vazio, parece que sem ela mexer eu meio que não existo...!

Presentinho Politicamente Incorreto


Um dos mais queridos titios da bebéia acaba de trazer de viagem uma mamadeira de vodka para ela, hahahahaha! É só botar água - ou suquinho, para sugerir uma caipiroska - e a piada está pronta!

O marido morreu de rir e perguntou se na loja tinha mamadeiras de outras bebidas (ele é fã de gin). Mas depois não conseguiu disfarçar o desconforto, e ficou intrigado sobre se artigos para crianças com referências etílicas não poderiam acabar sendo proibidos.

Bem, o humor venceu, e mal podemos esperar para tirar fotinhos de nossa filhotinha inocente com sua mamadeira capciosa!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

De-va-gar.

Comecei a ler "O Segredo de uma Encantadora de Bebês" - livro da enfermeira Tracy Hoggs. Tracy é perita em interpretar os diferentes choros do bebê e nos ensina a ver o mundo através do olhos dos pequenos - o que ajuda muito a diminuir o nível de ansiedade dos pais, aumentando suas chances de tranqüilizar os filhos. Ela também insiste na importância de estabelecer uma rotina para os bebês: criança gosta de previsibilidade.

Dou a maior atenção às dicas de Tracy. O que eu mais quero é que minha bebéia seja o mais tranqüila possível e que o ambiente doméstico seja poupado do caos. Na verdade, tranqüilidade é um padrão que desejo estabelecer para toda a vida da minha filha. Essa idéia se encaixa num movimento mais genérico chamado Slow, cujo objetivo é adotar um estilo de vida mais desascelerado e verdadeiro. Então tem o slow food, que é se alimentar melhor, sem comida junk; e as slow cities, que são cidades projetadas para evitar engarrafamentos, muito barulho e favelização. Na área da criação de filhos, o movimento Slow acaba de ganhar o livro "Sob Pressão".

Não li o "Sob Pressão", mas curti muito a entrevista feita com Carl Honoré, o autor. Slow na criação dos filhos não tem nada a ver com permissividade ou falta de disciplina, pelo contrário: a infância é uma fase onde deve haver aprendizado e superação, mas isso não significa que deve ser uma competição, uma corrida. Criar filhos não é desenvolver um produto. Carl Honoré adverte sobre o perigo de nos tornarmos pais que neurotizam os filhos com a obrigação de passar no vestibulinho daquela escola concorridíssima (vestibulinho, meu deus?!), de entupir a criança de atividades esportivas e cursos de idiomas e computação e artes... crianças devem se parecer mais com exploradores e aprendizes do que com míni-executivos.

É lógico que adultos "apressadinhos" estão fazendo o que julgam ser melhor para os filhos, mas acho que as crianças acabam pagando o pato. Pode ser que os próprios pais se sintam pressionados pela sociedade a fabricar crianças-modelo, mas pode ser também que estejam tentando realizar desejos não alcançados por eles próprios através dos filhos. O resultado é que as crianças ficam exaustas, e acabam acreditando que só serão amadas se conseguirem dar conta de tudo. Vira e mexe rola um reality na tevê mostrando famílias assim. Sinto sempre muita pena dos pequenos...

"Estamos vivendo numa cultura que nos diz que a infância é preciosa demais para ser deixada para as crianças e que crianças são preciosas demais para serem deixadas em paz" - Carl Honoré


É compreensível que queiramos proporcionar aos filhos aquilo que não tivemos (eu mesma já assumi aqui que gostaria de ter aprendido música ainda na infância, e que pretendo dar essa chance à minha filha); o problema começa quando os pais, mesmo inconscientemente, sonham que a criança se transforme no próximo Bill Gates, Picasso ou Michael Phelps, ou matricule o pobrezinho em mais três atividades extra-curriculares. Aí não dá.

Crianças dispõem de uma infância e uma adolescência inteiras para iniciar, no melhor tempo, quaisquer que sejam as atividades que possam lhes ser significativas durante a vida. Será mesmo necessário espremê-la em calendários tão cheios de coisas para fazer e exigir que elas sejam tão brilhantes em cada uma delas? Será que tanta expectativa não acaba destruindo a auto-estima do filho? Acredito que uma boa criação tem mais a ver com apresentar diferentes atividades e respeitar as preferências e o desempenho que a criança é capaz de oferecer.

A Alanis Morrissete tem uma música super tocante sobre esse assunto. Se chama "Perfect", e é como se os pais estivessem cantando para o filho. O fim da letra sugere como a criança muitas vezes lida com esse excesso de expectativas que uma agenda muito cheia traz:

Nós vamos te amar
Do jeito que você é
Se você for perfeito

Duro, né?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Não É Lenda:

As grávidas viram mesmo sapatão.

As duas últimas sapatilhas que comprei tiveram que ser número 38!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mães: As Toda-Poderosas

Culpa é um negócio que acontece mais com as mulheres do que com os homens, e talvez mais com as mães do que com mulheres sem filhos. Inflingir culpa é uma forma de controlar o outro, mesmo sem querer. Talvez por causa da imensa responsabilidade inerente à maternidade, as pessoas se sentem no direito de dar conselhos e emitir opiniões diversas às mães, fazendo muitas delas acreditarem que não estão desempenhando direito o papel e se sentirem muito mal por isso.

Embora seja tão simples de compreender, este desabafo, escrito por uma moça em muitos aspectos parecida comigo - faixa etária, classe social, estilo - me deixou um pouco chocada. Ela diz que o verdadeiro castigo de Deus para as mulheres não é a dor do parto, mas a culpa - exatamente porque, diante de tantos conselhos de terceiros, ela tem se sentido tão confusa como futura mãe. Não sei se é a primeira gravidez dela, mas afirmar que a culpa pode ser maior do que a dor de um parto é, assim, extremo para mim. Embora sua felicidade com a gravidez seja clara em seus outros textos, também ficou claro que parte dessa moça está muito vulnerável às expectativas alheias sobre sua própria maternidade.

Meu choque também se deve ao fato de que minha relação com esse meu novo papel de mãe está sendo caracterizada por sentimentos bem diferentes da culpa. É possível que eu sinta mais tarde, quando, ao começar a fazer suas próprias escolhas, minha filha tome decisões erradas! Daí não tem jeito, vou acabar questionando todas essas subjetividades parentais que influenciam a vida dos filhos. Mas por enquanto? Não, não mesmo. Apesar de toda vigia que naturalmente recai sobre a minha barriga, de todos os conselhos e dicas de alimentação ou exigência de boa forma e saúde, de profecias sobre o inferno que se fará quando o bebê nascer e as noites de sono morrerem, além do perigo que poderá se abater sobre meu casamento,- apesar de tudo isso, e mais do que nunca, a opinião dos outros decresceu muito em importância para mim.

Digo isso sob pena de ser mal interpretada, mas é verdade. É como se instintivamente eu soubesse que a opinião dos outros pode me tirar do meu centro - e o meu centro é fundamental agora. Eu jamais imaginei, mas minha auto-confiança cresce na mesma medida em que cresce minha barriga. No topo das sensações mais definitivas que vieram com a gravidez está uma enorme sensação de força e estabilidade, a despeito de todas as dúvidas e rompantes de emoção e inexperiência que há meses me acompanham.

Acho que a palavra "poder", despida de qualquer conotação perniciosa, define bem o que quero dizer. Ao contrário do sempre triste discurso cristão que essa futura mamãe evocou, acredito que Eva é, na verdade, a Toda-Poderosa, e não a pecadora condenada à dor e ao sofrimento. A mulher, e não Deus, é o ser capaz de dar a vida - como não creio em Deus, isto é duplamente verdadeiro para mim. E tão grande quanto o poder da mulher é o poder do próprio embrião-feto-bebê: cada vez que faço um ultrassom, fico estarrecida com a vontade de triunfo, a potência da minha bebéia ainda tão mínima, mas tão resoluta na tarefa de crescer e sair pro mundo!

Este é o mistério da dor do parto: a vida chega com tanta potência que ela sai rasgando tudo!

A Vida Só Existe Porque Sai Uma Boneca de Dentro da Outra!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Música

Lamento que meu pai não tenha realmente se empenhado em me ensinar a tocar violão quando, aos 10 anos, eu pedi. Ele me comprou um método, me deu um violão que já não usava e esperou que eu aprendesse sozinha - afinal, ele tinha aprendido sem ajuda. Tentei um "Cai cai balão", mas sem um tutor o trabalho era bem desestimulante. Abandonei logo para apenas aos 26 anos, sozinha, resolver aprender a tocar sitar. Dessa vez deu certo - embora eu admita que já fosse velha demais para conseguir colocar a música numa posição mais central na minha vida.

Sim, o timing é fundamental: quanto mais jovem, melhor. Quanto mais jovem, mais fácil fica aprender - e, no caso, mais fácil acomodar uma possível atividade, quem sabe carreira, musical no próprio destino. Aos 26 anos eu já morava sozinha, já era formada, trabalhava... por mais que adorasse e me dedicasse, tocar sitar era bem periférico.

O partido conservador francês, quem diria, está tentando emplacar uma excelente idéia nesse sentido: tornar obrigatório o aprendizado musical nas escolas. Todo petizinho local teria que dominar um instrumento, ou aprender a cantar.

Apesar de estar consistentemente mais ligada às artes visuais do que musicais, acho que música é uma arte superior às outras: ela alcança profundidades que as demais não sondam, expressam sentimentos e informações de outra forma intangíveis.

Pretendo oferecer à minha pequenina uma oportunidade de explorar esse universo ainda na infância. Se ela vai tomar gosto pela coisa, é outra história. Mas pelo menos, se ela curtir, terá chances de colocar a música num lugar de destaque em sua vida.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

New Björk Doll*


Imagina se a bebéia ia ficar sem a boneca da Björk, minha ídala absoluta, vestida com o incrível modelito de cisne que chocou o mundo no Oscar de 2001! I-ma-gi-na!

Porque eu não posso! Hahahahaha!

Mas sério, a boneca vai ficar no quartinho dela. E vou explicar direitinho o quão musa é Björk assim que ela for capaz de assistir a seus videoclips sem se assustar, hahahahaha!

Muito antes disto, a bebéia vai escutar Björk comigo - baixinho, quando eu estiver amamentando. Tipo "Vespertine" ou "Medúlla", que são os álbuns mais profundos. Na verdade, ela já anda escutando: ontem eu e o amado ouvimos "Volta".

"Vespertine" tem timbres bem semelhantes a caixinha de música, e caixinha de música é sempre children-friendly! Por isso, junto com a new Björk doll, arrematei um CD dos Beatles todo em versão para bebês! Tem "Yellow Submarine", "Lucy in the Sky with Diamonds", "Yesterday", "Ob La Di, Ob La Da" e várias outras! Não é tudo?!

Pra completar, comprei um babador vermelho escrito "John, Paul, George & Ringo", pra ela não ter dúvida de que nasceu numa família roquenrôw!

O papai dela, por sua vez, sempre curtiu punk e tá tentando arranjar tempo para comprar um macaquinho preto estampado com caveirinhas e tutu de tule rosa-choque!

Tudo isso é obra da Q-Vizu, loja "antenadinha", super pop, que tem uma linha incrível de coisas para bebês. E foi-se o tempo em que eu só gastava dinheiro comigo...!


* O título do post é um trocadilho com o New York Dolls, banda que o papai da babéia ama!

domingo, 16 de maio de 2010

Todo Domingo é um Marco

Todo domingo é um marco na vida da minha bebéia, logo todo domingo é um marco na minha. É quando ela completa semanas, essa unidade de tempo de vida sob o qual sua existência é celebrada e compreendida. Hoje ela completa 21 semanas, o que significa que já tem cabelo nascendo e sua medula começa a produzir leucócitos.

Desde que engravidei, minha vida é regida pelos domingos. É quando recebo e-mails dos sites de gravidez aos quais me cadastrei. Os e-mails explicam superbem o que vai se passar com a bebéia e com o meu corpo nos próximos sete dias.

Sem dúvida alguma, a gestação está provando de que o tempo não é absoluto e sim relativo: como está passando depressa! Todos sabemos como as horas voam quando estamos felizes... jamais um ano passou tão rápido pra mim! Isso é bom, porque mal posso esperar para ver minha filhota, mas ao mesmo tempo dá pena, porque é tão bom estar grávida... está sendo a fase mais feliz da minha vida.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Primeiro Livro

Hoje comprei o primeiro livrinho da minha bebéia. Filha de jornalista é assim, nem nasceu e já ganhou livrinho. Provavelmente não será um dos primeiros livros que ela vai manusear e ler, mas como marcou muito minha infância, quero muito que também faça parte da dela. É "Flicts", do Ziraldo. Tive vários livros que me marcaram quando era pequena, mas "Flicts" é especial. Tanto que eu assumo sem rodeios que sim, comprei o livro para ela, mas já o abri e o li. Comprei-o, também, para matar a saudade.

Não lembro exatamente quem meu deu "Flicts" de presente. Talvez tenha sido meu avô paterno, não sei. Sei apenas que a história da cor que não existe e seu conflito para encontrar um lugar ao sol (acabou encontrando seu lugar na lua!) me tocou de uma maneira muito forte. A cor Flicts era uma outsider e sofria muito por não conseguir se encaixar nas caixas de lápis de cera, por não conseguir ser aceita pelas outras cores. Então virou uma buscadora: caiu no mundo e foi procurar por si mesma em outros países e na natureza.

Essas questões existenciais todas parecem super complexas para crianças, e aí é que está a genialidade de "Flicts": para mim, e tenho certeza de que para milhares de pequenos leitores, a história fazia muito sentido. Tanto é que a edição que comprei, lançada no ano passado, é comemorativa dos 40 anos do livro, com vários textos especiais falando do momento histórico em que foi escrito e outros comentários muito relevantes - incluindo um bilhete escrito à mão pelo astronauta Neil Armstrong confirmando: "The moon is Flicts"! Não é tudo de bom?!

Mas o que eu mais amei é que eles mantiveram intactos outros elementos originais do livro: não apenas o texto foi preservado, mas também a tipografia, a diagramação dos parágrafos, o tom das cores. Porque não apenas o texto mas a programação visual de cada página são a história. Quem já abriu "Flicts" sabe do que estou falando.

Sei que demora alguns anos até que minha filhinha esteja pronta para "Flicts". Mas quando o momento chegar, vai ser tão especial para mim! Espero que para ela também!

Casaco de Dinossauro


E não tem essa de dizer que é só pra menino. Shiloh, filha de Angelina Jolie, só veste roupa de garoto! :)))

terça-feira, 11 de maio de 2010

20 Semanas: Num Crescendo

A barriga aumenta aos poucos, mas sem parar. Estou bem no meio da gestação e no momento a bebéia pesa cerca de 330 gramas. Até o fim da gravidez, ela ganhará quase dez vezes seu peso atual. E eu já tô me sentindo grandinha!

Como é minha primeira gravidez, meus parâmetros para comparação são pobres. Será que minha barriga está grande demais? Então não resisto e visito galerias de fotos de barrigas de gestantes que estão na mesma semana que eu - e algumas delas também se perguntam: "o que vocês acham do tamanho da minha barriga?". As panças podem ser diferentes, mas nossas inseguranças são todas iguais!

Após cada vistoria de ventres na internet concluo que estou bem na média: aquém das maiores, além das menores. E aprendo que cada grávida é uma grávida, cada gestante é uma gestante, e a área da normalidade é bastante abrangente, permite muitas formas e tamanhos. No fim das contas vejo que estou menos gigante do que muitas, mas ao mesmo tempo indubitavelmente grávida!

Sim, porque há mulheres entrando no sexto mês com uma barriguinha tão miúda que nem parece que tem neném lá dentro! Eu ia ficar muito aborrecida se fosse o meu caso! Grávida quer tamanho, quer volume, quer que o mundo note a maternidade chegando! Tenho percebido, inclusive, que quanto mais meu abdômen cresce, mais vaidosa tenho ficado - a despeito das roupas largas, do eventual inchaço e dos seios mais assanhados. Tenho me sentido especialmente confiante nessas últimas semanas.

O que não quer dizer que às vezes eu não sinta um medinho do meu corpo que cresce tanto! É muita mudança pra pouco tempo! Fora a postura que, na tentativa de compensar o novo centro de gravidade provocado pelo crescimento da barriga, contribui para lançá-la um pouco mais pra frente!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Em Modo Extra Sensível

Ontem chegaram os móveis do quartinho da nossa filha. Foi a primeira coisa que fiz quando cheguei do trabalho: ir pro quartinho dela. Era um quarto de bebê, todo branquinho, com cortininha, berço, armário, trocador. Antes era um quarto de tevê, local provável de sua concepção; antes, ainda, era um escritório; antes, mais ainda, era um quartode hóspedes, quando não tudo isso junto - mas agora: quarto de bebê. Minha filha tem onde dormir quando meu útero já não lhe servir mais. Mal sabia eu que aquele quartinho todo pronto, todo virgem, me traria a maior onda de sensibilidades desde que soube que estava grávida.

Tomei um banho e catei todas as coisinhas dela, até então armazenadas num gavetão. Coloquei Joanna Newsome no som - quase cantiga de ninar - e levei-as pro quartinho. Mal abri a primeira sacola de roupinhas e comecei a chorar. Chorei muito, precisei parar o que estava fazendo. Não era choro de felicidade, posto que felicidade é o meu estado natural já há muito tempo, especialmente desde que fiquei grávida; e é lógico que não era choro de tristeza. Era choro de emoção pura, de milhares de significados que se concretizavam diante dos meus olhos dentro daquele cômodo renovado. Naquele exato momento eu me despedia de uma parte minha e era apresentada para outra, totalmente nova.

Pela primeira vez desde que eu saí da casa da família, há doze anos e meio, havia um pedaço do apartamento interiamente dedicado à outra pessoa. À outra pessoa que é a minha filha. Que ainda é totalmente dependente de mim, e continuará sendo quando sair da minha barriga, e estará sempre à minha espera. Pela primeira vez percebi com toda profundidade que os meus dias de livre-senhora-de-mim terminaram, e de repente me senti tão pequenina como a bebéia que estou gestando, completamente desamparada, mínima diante da enormidade disso tudo.

Escrever um texto para explicar o que houve é na verdade uma inutilidade, já que o que houve não cabe à lógica nem ao pensamento que as palavras exigem. O mais próximo que consigo chegar é à analogia de um jorro incessante de emoções muito profundas.

Aos poucos, e sempre às lágrimas, fui desembrulhando cada presente, separando cada cartãozinho de felicitações. Era hora de guardar aquelas coisas no armário, na cômoda, nos gaveteiros, mas eu não sabia como fazer. Eu não sabia. Dona de casa e dona de mim há tantos anos, e eu não sabia. Pensei em ligar para minha mãe e pedir ajuda, mas que ajuda? O que é que eu não sabia sobre dobrar e guardar roupas?

É que não eram roupas, eram roupinhas...

E eu olhava pras roupinhas e não sabia o que fazer. Pensava que não sabia se deveria pendurar num cabide ou guardar numa gaveta, se deveria colocar os sapatinhos perto das faixas de cabelo. Mas na verdade não era isso. Nunca é isso. Minha falta de traquejo era, na verdade, uma denúncia sobre minha completa falta de experiência sobre a coisa mais importante que está para acontecer na minha vida. Pequenas coisas, como onde guardar a roupinha do bebê, nunca são um verdadeiro problema. Pequenas coisas apenas apontam para uma questão muito maior.

Então abracei a minha mãe-bebê, tão nua e inexperiente, à qual eu acabara de ser apresentada. Coloquei-a no colo no caminho entre o quartinho e a sala - no caminho entre o novíssimo e o tão conhecido - e deixei-a sentir.

Mães, em primeiro lugar, sentem. Eu nunca senti assim. Pra mim, foi a melhor novidade da vida. Mesmo o marido, eu o percebi melhor quando chegou em casa.

Ontem caiu uma ficha de ouro no meu coração.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O Drama das Calcinhas

Como se os vieses clássicos da gravidez não fossem o bastante, sempre há aqueles dos quais ninguém fala. Por exemplo, calcinhas. Agora que a barriga está realmente crescendo, a maior parte delas começa a ficar apertada. E eu começo a investigar tamanhos maiores do que o meu, que já é G. Além de uma bunda e um quadril grandes, minhas calcinhas terão que abrigar uma barriga cada vez maior (a bunda e o quadril eu tô tentando controlar com alimentação balanceada)!

Que drama, minhas amigas. Meu modelo clássico de calcinha é toda de renda, sem elásticos nas laterais, e os tamanhos extra-grandes, comprados ontem, não são largos o suficiente: apertam a base da barriga. Dinheiro jogado fora. Me sobraram duas opções: tangas e calcinhas cavadas, que eu sempre detestei porque apertam e entram no bumbum; e as calçonas enormes tipo vovó. Ávida pelo conforto e por uma peça que abrigue minha barriga acima de todas as coisas, fiquei com a segunda opção, já em tamanhos, digamos, avançados.

Obviamente terei que usá-las escondida do marido. Tipo pra trabalhar, e lançá-las no cesto de roupa suja assim que pisar em casa.

É lógico que procurei por lingerie própria para grávidas, mas não apenas elas são quase inexistentes como eu também nutro muitas dúvidas sobre se são mais apresentáveis do que os modelos vovó.

Bom, pelo menos até o momento tenho conseguido manter os seios dentro de uma numeração amigável para peças bonitas e conforáveis. Até o leite chegar para valer, nem tudo estará perdido!

Bercinho de Balanço


Fofo!

Demi-Maman

Domingo que vem é Dia das Mães, e eu estarei no exato meio do caminho da gravidez, completando 20 semanas. Família e marido já vão me comemorar na data, o que ainda não faz sentido completo para mim - só meio. Sinto parcialmente a sensação de ser mãe. Acho que é porque ainda falta um rito de passagem muito forte, que é o nascimento da minha bebéia. Mas tudo bem, já vou entrando no ritmo!

Sim, já faz sentido comemorar. Afinal, muitos dos sacrifícios e amores inerentes à maternidade já estão presentes. Abdiquei, de muitíssima boa vontade, de vários hábitos e prazeres de antes; e cada vez mais experimento uma paixão maior e maior por essa vida que cresce dentro de mim...!!Mas acho que não vai se comparar ao Dia das Mães do ano que vem, quando já terei minha filhota nos braços!


sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Nascimento da Mãe

Um dos processos mais fortes que vejo envolvido na minha gravidez é a construção da minha psique de mãe. É como se cada mudança ou novidade da gestação - a descoberta do sexo do bebê, as mudanças físicas, o primeiro chute - fosse um tijolinho montando a entidade Mãe dentro de mim.

Encontrei na internet um estudo acadêmico muito legal que fala sobre isso. Ele explica que, duante a gravidez, a mãe não lida tanto com o bebê propriamente dito, mas com um bebê imaginário:

A mãe precisaria personificar o feto para que, na hora do parto, não se encontre com alguém completamente estranho a ela (Brazelton e Cramer, 1992). Essa personificação do feto vai acontecendo à medida que os pais escolhem o nome do bebê e suas roupas, e modificam a casa. Dar características aos movimentos fetais, personificar esses movimentos dizendo o que e como esse filho será, por exemplo, são formas de atribuir uma personalidade ao feto. Esse processo dá início ao que os autores denominaram de apego primordial (...)
Assim, essa imagem que a mãe forma do bebê tem como base, por um lado, seus desejos e necessidades narcisistas, e por outro a percepção dos movimentos, das atividades, dos tipos de reação que o feto tem (Brazelton e Cramer, 1992). Dessa forma, a mãe vai se preparando para o choque da separação anatômica; a adaptação a um bebê em particular; um novo relacionamento que combinará suas próprias necessidades e fantasias às de um outro ser.
Mais lá pra frente, o estudo foca no caso específico da gestante adolescente, mas vale muito ler a introdução.

Primeiro Chutinho Hoje!

Minha bebéia está viva e chutando!

Esta manhã, lendo notícias no computador do trabalho, senti um chutinho consistente a dois centímetros abaixo do umbigo - mais ou menos onde as bordas do meu útero estão agora. Soube imediatamente que nunca havia sentido nada parecido antes, que não eram gases ou cólicas - nada disso. Tava com pinta de chute de neném!

Estamos na 18a semana, e li que desde a 16a é possível sentir os primeiros movimentos do feto. Mas achei que só aconteceria semana que vem, ou na 20a!

Como estranhei um pouco a baixa atividade da minha filhota no último ultrassom - ela está sempre saracoteante, e esta semana aparentemente estava dormindo -, interpretei o chute como uma mensagem tipo "Ei, mãe, tá tudo bem aqui!".

É mais uma conexão que se estabelece... mais um degrauzinho de relação mãe-e-filha... é apaixonante!

Não faço idéia de quando sentirei novos chutinhos... espero que seja logo!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Nove Dias de Cama

O sumiço foi por conta de um resfriado que me deixou nove dias de cama. Nove dias, minha gente! Logo quando eu começava a me orgulhar por me sentir tão bem disposta e cheia de energia!

É logico que me preocupei, e durante meu molho em casa passei um bom tempo no Google e nos livros para tirar minhas dúvidas. Surpreendentemente, o sistema imunológico da gestante é mais fraco para que não ataque o feto, que é interpretado pelo organismo como um corpo estranho.

Não, organismo! Minha bebéia não é um corpo estranho!!!

Como também não dá pra sair tomando remédio, o processo de recuperação levou ainda mais tempo.

Bom, passou. Estamos de volta com a corda toda.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Links!

Essa semana encontrei alguns artigos interessantes sobre gestação e bebês na internet. Eis os Top 3:

- O sorriso dos bebês ativa o centro do prazer dos adultos, especialmente entre mãe e filho! Aqui, em inglês.

- A jornalista Daniela Tofoli, da revista Crescer, descreve sua primeira semana em casa de volta da maternidade e conta tudo o que aprendeu na marra. Muito legal!

- Slideshow (apresentação) de fotografias in-crí-veis do feto dentro do útero! Clicar na setinha "next", à direita da foto, para passar para a próxima. Em inglês.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pequenezas

Qualquer coisa, qualquer coisinha boa que façam pelo seu filho - oferecer um assento no metrô por causa da barriga, um par de sapatinhos de presente, uma foto do ultrassom na carteira do tio - enche a gente de ternura!


Como é bom!

terça-feira, 13 de abril de 2010

16 Semanas: Definitivamente, Uma Barriga

Não é porque eu acabei de almoçar, não são gazes nem gordurinhas localizadas: é, definitivamente, uma barriga. Que surgiu timidamente há algumas semanas e deu uma espichada de poucos dias pra cá. A cada mudança dessas eu vou me dando mais e mais conta de que estou grávida!

Por conta da pança, quase metade do meu armário está ou já foi condenado. Tô tratando de providenciar roupas que abriguem meu corpo crescente nos próximos meses. Também já tá começando a ficar difícil ficar de cócoras catando coisas em prateleiras baixas, eu me desequilibro logo.

Semana passada rolou pré-natal; na volta, ninguém queria saber se eu estava bem, mas se a bebéia estava! Pô, pré-natal investiga principalmente a mãe, pessoal! E, embora poucos tenham se interessado, sim, eu estou ótima, uma gravidinha exemplar - dentro do ganho normal de peso, até. Ainda bem. Tenho me esforçado horrores pra não engordar além da conta.

Os batimentos cardíacos da bebéia estavam supernormais; semana que vem faremos novo ultrassom. Sei que agora ela está começando a crescer muito mais rapidamente - deverá triplicar de peso até a vigésima semana. Também daqui a um mês devo começar a senti-la se mexer - bem a partir do dia das mães!

Baby B(l)oom!



quinta-feira, 8 de abril de 2010

Reconhecimento

Percebo que a maternidade ainda é a principal via de reconhecimento da mulher - da admissão, por parte da sociedade, de que essa mulher amadureceu e deve ser respeitada como um verdadeiro adulto.

Desde que engravidei, sinto uma enorme diferença de tratamento, de valorização. Outros marcos importantíssimos da minha vida, como a saída de casa, a formatura da faculdade/pós-graduação, a independência financeira - nada disso mudou a postura dos mais velhos em relação a mim, embora vivamos num mundo onde a mulher é estimulada a fazer todas essas conquistas.

De repente, dentro dos cícrulos de mulheres mais velhas e mães, eu me tornei uma igual.

Curioso, né? Até que você se torne mãe, você é vista como filha - aquela criatura que não sabe direito o que está fazendo.

É compreensível que mulheres mães se sintam mais experientes do que não-mães: sem dúvida, com a maternidade vem um crescimento superveloz, necessário para proporcionar solidez emocional na criação do filho. Estou passando por isso. Mas ao mesmo tempo, num mundo onde cada vez mais mulheres decidem não ter filhos, esse critério de reconhecimento devia mudar.

Não mudou ainda porque é muito visceral, e conceitos emocionais levam gerações para se adaptar a novas realidades.

Tomara que quando minha bebéia for grande a história seja outra!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Mulher Faz Cesariana e Médicos Não Encontram Bebê

Outro programa de tevê que eu sempre paro para assistir é "Eu Não Sabia que Estava Grávida" (Discovery Home & Health). É isso mesmo: histórias reais de mulheres que só descobriram que iam ser mães na hora do nascimento do filho! A gente se pergunta como isso é possível, mas é - a ponto de existir uma série sobre o assunto, trazendo duas entrevistadas por capítulo de meia-hora. Na maior parte das vezes, a mulher era gorducha demais para notar a barriga crescendo, mas também rolam várias magrelas que ganham barriga demasiado discretas e acham apenas que engordaram um pouco. Tem aquelas que por algum motivo já não menstruavam ou a menstruação continuou rolando igual. Teve até um caso onde o Beta HCG, que detecta a gravidez, deu negativo!

Mas essa notícia aqui trata exatamente do contrário: uma americana foi internada para dar à luz seu bebê, e na hora que os médicos abriram sua barriga não tinha criança alguma lá dentro! Todo mundo sabe o que é gravidez psicológica, mas eu nunca ouvi falar num extremo desses.

Que médico é esse que nunca pediu ultrassom pra paciente? O primeiro exame que se pede após um Beta HCG positivo é ultrassom, exatamente para confirmar a existência do saco gestativo. Sem contar com o toque da barriga da mãe, onde é possível sentir a cabecinha do bebê; a escuta dos batimentos cardíacos do feto via doppler...

Acho louquíssimos casos de gravidez psicológica. Fico pensando no poder que o inconsciente tem para provocar mudanças tão drásticas no corpo físico a ponto de simular nove meses de gestação. Imagina o susto que essa mulher não tomou ao se dar conta de que todas as mudanças físicas e psicológicas que acompanham a gravidez eram um imbróglio dela própria; imagina sua tristeza em voltar para casa sem filho algum nos braços, o quartinho pronto à espera dele.

Gravidez psicológica é um fenômeno raro que acontece de uma a seis vezes a cada 22 mil nascimentos. Os sintomas pode ser tão dramáticos que a mulher pode urinar sem saber, simulando o rompimento da placenta na hora do suposto parto. Há casos de mulheres que alegam gravidez mesmo tendo sido histerectomizadas.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Grande Investida da Gangue das Velhinhas

Tô falando que as velhinhas da hidroginástica são abusadas!

A aula de ontem foi dada por um professor substituto, já que nossa professora precisou viajar. A aula foi super vigorosa, a ponto de eu chegar a acreditar que ia suar mesmo dentro da piscina. O cara era agitado.

Talvez por conta da proximidade da Páscoa - quem sabe porque o professor era um pouco dentuço - uma das coroas virou-se pra mim e falou:

- Ele não parece um coelhinho?

Eu retruquei,

- Sim, daqueles da Duracell, que não cansam nunca!

A velhinha guardou meu comentário. No final da aula, ao sair da piscina, ela se vira para o professor e manda:

- Você parece aquele coelhinho da Duracell, hein?

As coroas caem na gargalhada. Até que a velhinha pergunta, sem o menor constrangimento:

- A sua pilha é grande ou pequena?

Tá?!

terça-feira, 30 de março de 2010

Tragicômico: Nomes de Meninas

Finalmente comecei a explorar, ainda que clandestinamente (ou seja, sem me afiliar), comunidades de mulheres grávidas ou já mães de meninas no Orkut.

Os tópicos de discussão são altamente emocionais e, confesso, me causam identificação - a despeito de erros crassos de português ou formas mongolóides de se expressar. Acho que toda mulher fica um pouco retardada quando descobre que terá uma versão humana daquela boneca da infância. A gente perdoa.

Mas há um tópico que me causa arrepios: o dos nomes escolhidos pras bebéias. Aí você pensa, "o Brasil é muito pós-moderno, né?" Aqui vai uma compilação com os piores, embora revelados com extremo orgulho pelas mães (formas de grafar o nome e combinações esdrúxulas contam como aberração):

- Emilly Grabrielli
- Aishla Mickaela (!)
- Lunna Emanuelle
- Mahara
- Izabelly
- Thamyris
- Dafny Cristina
- Kamylle Rebecca
- Agatha Izabelly
- Adrielle
- Sophia Mirelly
- Nayrim
- Kayara Isabella
- Anaellen Thaysa
- Dâmaris Hadassa
- Sandy Nayara
- Tauane
- Elisama
- Yndara
- Andreisse Princess (é sério)
- Lycia Viviane
- Layenne
- Liandra Evelyn
- Geandra
- Aysha Jamile
- Monycy Rafaely
- Elisyane
- Kethlen Stephany
- Eyshila

Gente, que fixação é essa pela letra Y para menina?

Quem me conhece sabe que eu sou muito pela escolha de nomes pouco batidos para os filhos... mas imaginação tem limite!

Entre os nomes bonitinhos normais, há pencas de Sofias, Marias Eduardas, Vitórias (acho que todo casal que teve dificuldade de ter filhos escolhe esse nome), Giovannas, Manuelas, Laras, Alanas e Anas Julias.

14 Semanas: Quarto Ultrassom


Ô bebéia pra ganhar ultrassom!

Dessa vez eu e o amado fomos intimados pela vovó genérica radiologista para passar para dar mais uma olhadinha - com a participação especial dos avós maternos!

Nossa filhota está mais agitada que nunca: cruzou e descruzou as perninhas (que já são compridas, vejam-nas esticadas à direita), abriu e fechou a boquinha, ensaiou movimentos de sucção... fervida a menina!

E deve ser menina mesmo: pedi pra vovó radiologista dar uma conferida nos genitais, pra ver se bate com o resultado do exame de sexagem fetal, e a princípio o sexo é de fato feminino.

A fotinho acima foi pro meu muralzinho particular do escritório!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Hidroginástica: a Gangue das Velhinhas

Já comentei aqui que entrei na hidroginástica. Estou adorando, nunca perdi uma aula. Curto muito me exercitar, há alguns anos eu era a monstra do spinning das 6:30 da manhã, mas minha rotina mudou e desde então ficou difícil me adaptar à academia lotada nos finais de tarde. Só que agora existe uma gravidez pela frente e uma demanda real por um bom condicionamento físico.

Exercício na água é tudo de bom na vida - ainda mais com esse calorão. É superindicado para gestantes porque trabalha a capacidade aeróbica e a musculatura com risco mínimo de pancadas e zero de quedas. Fora que, com o passar do tempo, a água alivia o peso do barrigão.

Por quase todos esses mesmos motivos é que hidroginástica também é a atividade preferida de pessoas idosas - por alguma razão, mais das velhinhas do que dos velhinhos. Na minha turma, por exemplo, só tem mulher: umas quinze coroas acima de 70 anos, três senhoras entre 40 e 70 e duas moças com menos de 40, que sou eu e outra menina não-grávida.

Ou seja: a piscina é território das velhinhas. Elas dominam incondicionalmente.

Logo no meu primeiro dia a líder delas, de óculos Jackie O. e batom vermelho, já dentro da piscina com duas comparsas, me abordou antes de eu entrar, perguntou meu nome e me deu boas-vindas. Tipo, mega simpática, mas ao mesmo tempo com aquele quê de representante de turma, de chefe da cambada! Elas sabem que comandam geral, mas gostam de ser graciosas com quem não faz parte da gangue delas (são especialmente fofas quando descobrem que estou grávida).

As velhinhas se agrupam em rodinhas de três ou quatro e passam a aula inteira fofocando. Elas só param de falar quando a professora, do lado de fora da piscina, mostra o exercício novo - e então retomam o assunto. É impressionante como elas conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo! É claro que o vigor dos exercícios sofre com a falta de foco, mas acho que, para elas, a boa-forma tem a mesma importância que a social. No final das contas, é muito alto-astral ver esse monte de mulher, no entardecer de uma vida onde ser mulher era bem menos divertido do que hoje, se mexendo, rindo e tagarelando como se não houvesse amanhã.

Elas todas se parecem muito. De toca, então, são quase indistingüíveis. Comecei a notar melhor seus rostos esta semana, quando fiquei uns dez minutos na hidromassagem depois da aula, na companhia delas. Mas elas também me confundem direto com a outra moça da minha idade. Hahahaha!

No momento o grande frisson é a compra de um ovo de páscoa gigante que elas estão organizando, em segredo, com o resto da turma. Elas sentem um enorme prazer em driblar a professora para arrecadar os R$5 de cada aluna e anotar no caderninho de páginas enrugadas e tinta manchada por causa da água da piscina.

Pretendo muito continuar na hidro depois que a bebéia nascer. As velhinhas são sensacionais, garantia de diversão aula após aula!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Duas Agulhas

Agulha 1: vacina contra a gripe suína. Rapidinha e indolor.

Agulha 2: acupuntura! Que na verdade é feita com várias agulhinhas. Comecei essa semana com uma amiga querida, médica especializada em medicina chinesa. Estou até agora boba com os resultados: em apenas uma sessão comecei a dormir melhor, minha azia desapareceu quase que completamente e a tensão muscular que tomou meu pescoço há alguns dias sumiu. Pretendo continuar entrando na agulha semanalmente até o fim da gestação. É uma maravilha, sobretudo num período em que devemos evitar a maior parte dos medicamentos.

Outros dados estarrecedores sobre os benefícios da acupuntura durante a gravidez, segundo a Revista Crescer:

- 63% das mulheres tratadas com acupuntura específica mostraram melhora dos sintomas da depressão, enquanto a técnica tradicional ajudou cerca de 37,5%;

- o grupo escolhido para fazer a acupuntura reduziu em 75% a intensidade da azia, contra 44% das mulheres que fizeram tratamento convencional para o problema.

Já é!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Nacho Libre!

É por isto que eu quero que minha filhota cresça com felinos por perto!

Só o Bebê Salva

Pesquisa norte-americana aponta a maternidade, e não o casamento, como condição que motiva mulheres delinqüentes a abandonar o crime.

Baby power!

Banho de Balde!

Uma das vovós genéricas da minha bebéia mandou um link para um artigo sobre a crescente popularidade do banho de balde entre bebês pequenos.

Existem duas coisas que me dão ansiedade: trocar fraldas e dar banho no bebê. Eu não tenho idéia de como fazer! É claro que todo mundo aprende rapidinho - nem que seja na marra! - mas admito que a idéia do baldinho foi tranqüilizadora. Parece bem mais simples do que encarar aquele banheirão de armar!

Valeu pela dica, vovó genérica querida! ;)

terça-feira, 23 de março de 2010

O Corpo que (Não) Muda

Treze semanas: terceiro para quarto mês. Conseguindo estabilizar o ganho de peso total em dois quilos até agora, mas mesmo assim já rola uma barriguinha. Começamos a notá-la na semana passada. Eeeeeeeeeeeeeeee!

Apesar disso, apertados só ficaram dois vestidos até agora - e mesmo assim na altura dos seios. Engraçado, porque meus sutiãs continuam servindo. Vai entender.

Nunca fui tão certinha com os cuidados com a saúde - afinal, minha bebéia depende 200% dele, e o equilíbrio orgânico da gestante é mais frágil do que parece. Mesmo com exames excelentes, sempre existe o risco de um diabetes gestacional ou aumento de pressão. A simples menção a qualquer complicação me dá calafrios. Então a visita ao nutricionista valeu mais que a pena, porque aprendi um monte de coisas que estão super funcionando.

A primeira e mais fundamental é a velha e boa regra de se alimentar de três em três horas. O nível de açúcar no sangue da gestante cai bastante rápido porque o feto está sempre ali, demandando; então é muito importante comer em pequenos intervalos para mantê-lo constante. Aliado a isso, é fundamental substituir açúcares simples (doces, pães e arroz brancos) por complexos (pães e arroz integrais, frutas, etc): o açúcar simples eleva muito rápido, e derruba muito rápido, o índice glicêmico do sangue, desregulando o apetite da gestante. Os complexos mantêm o índice muito mais estável, a sensação de saciedade se prolonga e o risco de diabetes gestacional diminui.

Essa história de açúcar no sangue é tão séria que, quando cai muito rápido, o próprio bebê sente.

A segunda regra de ouro é em relação ao sal: pouco, pra não aumentar a pressão e não gerar inchaços desconfortáveis. A gestante está cheia de hormônios que provocam, por si só, aumento da pressão. Além do sal de saleiro, embutidos tipo salsichas, presunto, patês e defumados são um big no-no. Queijos, que também podem ser bem salgadinhos além da conta, são mais permitidos, por conta do cálcio. Mas há de se ter moderação.

Uma vez por semana me permito uma extravaganciazinha, porque:

1. neurótica eu nunca fui

2. estou indo superbem

3. o nutricionista liberou

Mesmo assim doces, que sempre foram o meu desespero, não têm sido meu alvo predileto. De novo: vai entender!

Outro megacuidado que tenho seguido à risca são minhas amadas aulinhas de hidroginástica, três vezes por semana - mas esse assunto merece um post à parte. Aguardem!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sinal Verde!

Ontem rolou o exame que eu tanto esperava: a translucência nucal, que indica a probabilidade de problemas cromossomiais do bebê. Felizmente faz um dia lindo dentro da placenta! Nossa neném está bombando de saúde e deu um show pro ultrassom! Dessa vez gravamos tudo em DVD.

Não existem palavras que descrevam a intensidade dos sentimentos que me acometem quando eu a vejo no ultrassom. É para isso que serve a poesia - para dar sobrevida, dimensões transcendentes, à comunicação. Então fiz uma, muito boba em sua forma, mas cheia de significados muito importantes para mim:

Não existe nada
Nem ninguém
Senão os do meu sangue
E o teu pai
Que um dia tenha sido amado
Como eu te amo,
E mesmo assim,
Você é mais.

Sua porcariazinha tão pequena,
E já tão poderosa
Vontade de triunfo,
De poder,
Vontade de vida
Quando te vejo, querida
Só faço é babar!

Você me pegou na hora certa,
Do pai exato.
Tudo o que hoje sei
É que, antes, pude viver muito
E ser radiante, tanto
Que afirmo categoricamente,
Com conhecimento de causa:
Nenhum outro amor,
Ou êxtase,
Ou sucesso,
Esteve aos pés da felicidade
E do sentido
Que a vida ganhou
Desde que você chegou.